quinta-feira, 28 de abril de 2011

YES, ELES " ECXISTEM " !



Dias desses, transeuntes na área central da cidade do Trabalho e Cidadania, outrora Cruzeiro do Sul, localizada no norte do estado do Acre na mais parte ocidental da amazônia brasileira, depararam-se com uma cena inusitada : Seres, até então, estranhos  à normalidade e à vida cotidiana da urbe explodindo em  heroicos e altos brados. 

Não eram homezinhos verdes e cabeçudos, como crer a vã filosofia comum _ baseada nos estereótipos globalizados _ desta cidadela ex-seringueira. Tinham mesmo era feições diversas como todo homem normal, com braços, pernas e membros nos locais e em quantidade certa. Não se faziam acompanhados de nenhuma nave espacial de formato indefinido. Par de anteninhas ? Não foram notadas.

E incrível: O som de suas vozes eram perfeitamente audíveis e até certo ponto compreensíveis. Sim, havia uma certa semelhança com nossa língua. Notou-se que não eram anjos, pelos menos não daqueles que usam asas e têm uma auréola sobre a cabeça, mostradas nas antigas artes ocidentais, copiadas pelas histórias em quadrinhos infantis. Porém, percebeu-se que queriam defender a nós, o povo desamparado, das garras de um tal mal irreparavel.

Apresentaram-se em número de três. Três é um número significativo na nossa cultura ocidental cristã. Três porquinhos, três poderes, três patetas, conte até três, três sobrinhos do Pato Donald, após três tentativas sua senha será bloqueada;  três, três,três é o homi do povo...enfim, Gabriel, Miguel e Rafael.

Mas já disse não eram anjos, seus rostos não resplandeciam, não portavam espadas flamejantes, não tinham voz de trovão. Falavam no microfone para se fazerem ouvir pela multidão. E não falavam de coisas de outra vida. Falavam mesmo era sobre as coisas terrenas que afligem o mundo dos homens desta pobre cidadezinha incrustada no meio da selva.

Queriam nos salvar da falta de gás de cozinha, da falta de carne bovina, da falta do horário de deus,  falta de preço baixo para o pescado, falta de uma energia elétrica mais barata e et cetera.  Por suas aparições raras  logo ganharam a atenção da multidão e o burburinho tomou conta das ruas:

_  Acho que já vi aquele em algum lugar.
_  É um culto ?
_ Acho que é um sindicato atrás de fazer greve...
_ Vixe, e eles fala, ó.
_ Esse povo dessa cidade é muito ignorante das coisas que acontecem aqui. Não tão vendo que esses são nossos representantes ?
_ E é ? Então eles existem...

Fiquei feliz. Aqui existem guerreiros incansáveis na luta pela justiça do bem comum. Sou um ignara, pois nestes quase dois anos e meio não sabia da existência de tais figuras, salvos raríssima excepções e por ser assim tão raras suas aparições, tornam- se inócuas ou desapercebidas pelas  minhas tolas retinas.

Contente, em meus devaneios, acabei desviando uma pequena cratera e caindo com o veículo em outra de maior porte. O choque me trouxe à tona. Notei que moramos em cidade de ruas esburacadas ou sem asfalto, onde o pedestre disputa a pista de rolagem com os carros e motos porque não temos calçadas. Estamos a anos-luz do saneamento básico. Nosso sistema de saúde é precário, não dispomos  de um sistema de limpeza pública verdadeiramente eficaz e moderno, ainda estamos na era do "lixão". Nossa ave símbolo continua sendo o urubu. Temos uma administração pública municipal que tem medo da transparência dos seus atos ou simplesmente ignora este dispositivo democrático...e o nosso Plano Diretor, cadê ? (chega, senão daria um livro ).

E então por que aqueles heroicos seres, nossos representantes em vida,  também não bradam contra tamanhas faltas ? Ou será que realmente eles não são deste mundo ou não moram nesta cidade ? Ou isto também não é importante ?

Eles não eram anjos. Lutavam, mas não a favor da população e sim a favor deles próprios, de suas imagens, egos e por mais poderes. Eles eram três. Não os três reis magos trazendo presente. Três porquinhos. Só que não fugiam do lobo, ao contrário, uniram-se a ele, o lobo da pelagem azul para lutarem contra o chapeuzinho vermelho. Para o povo, esta estorinha não terá um final feliz.

Yes, eles "ecxistem". Melhor, porém, que continuassem invisíveis. Por essas e outras é que  eu preciso abandonar o uso das bebidas alcoolicas. Ou será melhor continuar bebendo para esquecer que 2012 vem aí , o mundo vai acabar e nada de trabalho e cidadania ?
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