sexta-feira, 15 de julho de 2011

O UNIVERSO NA CASCA DE NOZ ? O SOCIAL NUM PRATO COM FEIJOADA



Em meio à feijoada encontrei um caroço de milho. E não era um espécime Zea  comum não. Era branco. Daqueles de fazer mungunzá, a se misturar com a alvura do côco ralado e do leite.

Causou-me estranheza,aquele caroço solitário. Não estava sozinho, claro. Estava misturado ao feijão, mas sua minoria e contraste eram gigantes. O que fazia ali a destoar do meio, do contexto ?

Minha humana mente, sem fronteiras e nem prisão, passou a imaginar a trajetória de vida daquela individualidade. Viera ao mundo como mais um caroço, como parte de um coletivo menor chamado de espiga, que por sua vez fazia parte de coletivo médio chamado de pé-de-milho, que fazia parte de um coletivo maior, o milharal.

Todos os caroços de milho daquele milharal devem ter cumprido com sua missão. E as finalidades de um caroço de milho neste mundo são diversas. Não acredito, porém, que entre essas atribuições dentro da complexa cadeia terrena, esteja a de enfeitar uma feijoada, qualquer que seja.

O que me intriga, é não saber exatamente onde e o porquê aquele caroço foi desviado de sua função  e como veio parar ali naquela realidade estranha ao normal. Obra do acaso ou falha de vigilância  ?

Fosse eu um Homo sapiens de inteligência ao menos mediana, de algumas poucas leituras, poderia ter enxergado no fato um motivo para a escalada de uma nova teoria repetitiva _  já que as originais parecem - me esgotadas _  para a explicação da existência, ou da economia, ou da política ou ambas.

Como de costume em caso de crise existencial, procurei auxílio ao Crazebeque, ser irreal, que da existência terrena nunca experimentou, o que lhe confere certa autoridade sobre o que nossa vã filosofia dos vivos não ver.

Desta feita, entretanto, foi desanimador:

" _  Debalde a angustia. Nada de casualidade ou obra do destino. É tudo proposital e maquiavélico. Duvidas ?  Por acaso já viste um caroço de feijão, perdido dentro de um prato de mungunzá ou mesmo fazendo parte de uma canjica ? Pois então?  É tudo social."

Desalento, resolvi mastigar o caroço de minhas dúvidas. Ops ! E não é que o danado do caroço de milho branco tinha o mesmo gosto dos caroços de feijões ? O que é a aparência ?

Devo diante da experiência concluir que o individuo, por mais diferenciado que seja seus genes e origem, não escapa ao caldo da coletividade ? Se assim o for, a individualidade é só mais uma utopia. Feijão ou milho ? Depende da sopa e todos seus ingredientes.

Sou péssimo para elaborar teorias, nem tanto para devorar feijoadas em dias de sol e calor.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

VAGNER NUNCA MAIS

AQUI NUNCA MAIS !




Estive esses dias a pensar seriamente em não mais escrever o Jurubeba's. Não vale a pena. Não tenho alvo na mira. Não tenho propósito e tampouco objetivo.

Mas só estive. E nesses dias sem tesão de dedilhar sem tempo e nem proveito, conheci   um leitor do blog.  E na conversa o prazer foi só dele. Onde o conheci ? Num daqueles quiosques do balneário Igarapé Preto. Eu tomava água de côco, ele whisky.  Dispensou as apresentações, daí não sei nem o nome do cujo.

Sincero e direto, disse que odiava o que eu escrevia e sentia "pena de mim" por ser um cego semialfabetizado.

Em parte concordei com ele. Sou realmente um semialfabetizado, um ignara. Esforço , eu até fiz para sair da situação da ignorância e cegueira do mundo. Porém, confesso que não consegui. E pior : Nunca tive vontade de enforcar-me usando palha de cebola como corda por conta disto. Sou fraco de ânimo para tanto. Deve ser questão mesmo de origem.

Questionou-me quantos livros eu já tinha lido. Não lembrei. Não consegui responder. Nunca decorei títulos de livros e o mesmo serve para os filmes. Se tivesse perguntado sobre os nomes de todos os campeões do campeonato brasileiro de futebol da primeira divisão desde 1971, eu saberia. O porquê e para quê decorei isto, também não o sei dizer. Nunca recebia sequer um elogio por estupendo esforço. 

" Viu só ? " asseverou.   " Esse é o mal de você e uma turminha de blogueiros desta cidade. Vocês  nunca leram nada. Não têm o horizonte alargado pelas obras dos grandes teóricos, por isso vivem na mesmice ". Enquanto falava, observei que tinha cuspe no canto da boca que era razoavelmente grande e horizontal. Talvez fosse daquilo que ele estivesse falando.

Acusou-me de querer imitar Diogo Mainard e querer transformar o prefeito de Cruzeiro do Sul numa espécie de anta, tal qual o  " Mainard fez com o Lula" e isto me fazia parecer um tolo. Já tinha ouvido falar do Diogo Mainard, mas nunca li nada dele. Consultei a Wikipédia. Agora, pensando melhor,  não concordo.

Primeiro, porque Vagner Sales, com "V", não tem nada a ver com o Lula, a começar pela quantidade de dedos nas mãos. Também não consta na biografia do ex-presidente que ele tenha trabalhado como limpador de banheiros de vereadores. Se pôs a mão em cocô foi de outro tipo. Ademais, se um presidente da república chega a ser uma anta, um prefeito de uma cidade onde o vento faz a curva nunca chegará a um preá.

Segundo, porque eu estou infinitamente impossibilitado de escrever como o tal Diogo. Ele foi educado na França, primeiro-mundo, comendo caviar d'escargot. Eu só estudei em escola pública acreana. Por não ter um paladar apurado, crie-me comendo manga-rosa. E minhas professoras, por pura ignorância , ensinaram-me a ficar longe dos caramujos _ na realidade caracóis, pois eles causavam  " barriga d'água".

 O leitor ainda me orientou educadamente a fazer duas coisas: Parar de falar asneiras a respeito do prefeito e escrever sobre coisas úteis para as pessoas. Para mim pareceu um pedido disfarçado.

Independente do pedido eu já estava disposto a seguir essa trilha . Se já não perdia sequer um minuto da minha vidinha preocupado com Vagner, doravante me proibirei de escrever uma linha a respeito da gestão municipal.

Quanto a "coisas úteis" ? É um pouco mais difícil , pelo menos por enquanto. Falta-me cultura e preparo para tanto. Talvez me especialize em reproduzir  as partes mais importantes da bula de algum medicamento popular ou quem sabe alguma receita caseira para bolo.

Uma coisa é certa. Aqui no Jurubeba's, Sales nunca mais. Peço desculpas aos milhões de leitores que acessam diariamente este blog e fazem daqui o centro da discussões políticas e filosóficas do Juruá, quiçá do universo. Não  estou mais disposto a derrubar nosso Midas. Este é um assunto que me  aborrece agora.

Só me resta uma dúvida e uma certeza:  Ele, o leitor, odeia o que escrevo e continua lendo. Eu desprezo sua opinião e faço o que me pediu. Qual de nós é o pior ? Eis a dúvida.

E a certeza ? A certeza fica por conta  de que whisky caro não combina com água barata de igarapé popular. Côco sim. Cocô ? Só de vez em quando... 
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