sexta-feira, 2 de março de 2012

A LEI DA FICHA LIMPA NÃO NOS SALVARÁ, ACREDITEM.

"A lei foi feita para reger comportamento futuros. Então, deixa de ser lei e, a meu ver, passa ser um confisco de cidadania. O estado retira do cidadão uma parte da sua esfera jurídica de cidadania, abstraindo a sua vontade. Não interessa o que você pode ou não evitar" (ministro Cezar Peluso, presidente do STF, na votação da constitucionalidade da Lei da Ficha Lima).

 Como é do conhecimento geral o STF já decidiu a favor da constitucionalidade da popular Lei da Ficha Limpa.
Brados de euforia ecoaram-se país à dentro. Nada mais justo e compreensível : estamos sequiosos de justiça. Quando do outro lado estão estes seres tão diferentes do restante dos mortais _ os políticos com mandato _  mais doce é a vingança.
Às vezes penso que sou um louco fora de moda. Enquanto a maioria comemora, fico entre os tristes com a notícia.
Não. Não sou político, muito menos tenho a ficha suja.
Explico com calma.
Quem me conhece pessoalmente sabe da minha timidez com as palavras, fruto da incapacidade de se expressar claramente, calmamente, de preferência pronunciando os "s" no fim das palavras e nas concordâncias . Como sou feioso de físico e feição, tanto quanto de coração, prefiro a aconchegante escuridão da indiferença alheia.
Entretanto, aqueles que já tiveram a rara oportunidade de trocar comigo meias palavras sabem da minha obsessão pela ética e da moral do indivíduo. É coisa tem que brotar do interior de cada pessoa. Minha diligência é minha melhor lei.
Dito isto, passo a afirmar que sempre considerei a tal "Lei da Ficha Limpa" um atestado da falta de moral, ética e decência do eleitor brasileiro. Além, é claro, do atestado de incompetência nossa em escolher o que achamos melhor_ ou pior, como bem permite a ampla democracia e o livre arbítrio .
Mais uma vez foi delegado ao Estado decidir pela gente. O Estado retira do cidadão como bem disse o ministro a capacidade de escolha ampla, abstraindo sua vontade.
Muita gente credita a escolha dos péssimos políticos à falta de escolaridade da população, o que é um absurdo. Consciência de mundo vai além do que se aprende nos livros e aulas expositivas. A fome, a miséria, a insegurança e a dor não estão no papel e na fala, estão na vida real. 
Outros falam de uma tal dependência financeira que prende o eleitorado a uma dívida eterna com candidatos. Não há comprovação. Uma maioria sabe que não vai ser descoberta se não votar nos "amigos". Uma minoria mixuruca pensa que sim. Mas minoria numéricamente insigiificante não elege ninguém. Além disso, o eleitor é o maior dos infiéis, não o maior dos jumentos. 
'Não se muda os políticos enquanto não se  muda os eleitores'
O quero dizer é que elege-se péssimos políticos conscientemente em termo de maioria, o que não deixa de ser democraticamente correto. Em suma, estamos muito bem representados.
A retirada dos chamados fichas sujas das próximas eleições dá a falsa sensação de limpeza. Ledo engano. É o impedimento dos ruins abrindo caminho para outros também ruins ( ás vezes apoiados pelos impedidos). "Sangue novo" mal intencionado é que não falta atrás de uma mamata oferecida pelo mandato político. 
A cada ano mais gente cairá na rede da lei, entretanto, o exército de contigente é grande, inesgotável. Arrisco a dizer que o mau eleitor de hoje. é o péssimo candidato de amanhã.
E sabem os mais espertos ? Conhecem os caminhos legais das pedras para escapar da justiça formal. 
Não se muda os políticos enquanto não se muda os eleitores. A lei da Ficha Limpa não é pedagógica, ela castra e pronto !
Os maus continuarão escolhendo os maus , enquanto os bons soltam rojões  pela queda da "bola da vez" e nossa política continuará uma porcaria, com todo respeito ao suínos.
E por favor não me venham com uma lei para barrar os maus eleitores. Eles são a maioria e como os bons eleitores também pagam uma manada de impostos.
Matematicamente, eles são mais úteis às finanças do Estado e têm todo o direito de escolher quem vai cuidar do dinheiro da sociedade.
Afinal, em uma democracia quem manda é a maioria e não os mais decentes. Quem sabe um dia sejamos em maior número...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

EM POUCAS MUITAS PALAVRAS...

" Nesta desigualdade social proporcionada à desiguladade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo não dar a cada um na razão do que vale, mas atribuir a todos, como se todos de equivalessem "  ( Rui Barbosa , in "Oração aos Moços" )

Então por favor não me venham com doutrinas ou dogmáticas salvadoras do homem sejam elas pelo caminho do comunitárismo, seja pelo caminho do individualismo, a não ser quando a humanidade não for mais formadas por estes complexos humanos.

[Um individualista dogmático, doutrinado, é a melhor das ovelhas no rebanho do senhor. Só muda de senhor] 

Ao insistir em minha conversão à sua arraigada verdade, você corre o risco de que eu o mande tomar no cu em alto e bom volume ou escreva em letras garrafais, ou não, um palavrão.

A comportada  Anarquia, a Teoria do Caos, com ou sem "Efeito Borboleta", por hora é meu norte.

Só por hora, até segunda ordem da minha percepção, cega ou não...

Me deixem ser o que sou a cada segundo, pô ! 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MINHA PROPOSTA INDECENTE: CRIAÇÃO DO ESTATUTO DO ELEITOR

Jardeu Cristalizado *
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Na semana que passou o STF decidiu que o Estatuto do Torcedor, que vigora no país desde de 2003, é constitucional. Há quem diga que quando começa-se a criar estatuto demais é prova cabal de que as leis não estão sendo obedecidas pela nação.

Não quero entrar agora nesta discussão, mas que o Brasil é o país do estatuto é inegável. Temos estatuto até para questões que resolveriam-se com um pouco de moral, ética, urbanidade : precisamos cuidar e respeitar nossos idosos e proteger nossas crianças.

Ainda assim quero fazer a proposta de criação de mais um estatuto por aqui. Refiro-me ao estatuto do eleitor.

 Se fosse implantado, deveria funcionar nos mesmos moldes do estatuto( código) do consumidor: se não cumpriu, paga ou devolve ou troca-se. As promessas eleitoreiras passariam a ser verdadeiras dívidas. Como nosso direito é positivista, vale o que se escreve, que fossem então registradas em cartórios.

No fim do mandato haveria o balanço. Se o saldo fosse negativo a punição seria certa. A pena iria da devolução do salário recebido no período do mandato à capina forçada dos canteiros de obras não concluídas.

O bom mesmo seria a aplicação de 200 chicotadas em praça pública com transmissão ao vivo pela TV's Senado e Câmara, justificando, enfim,a existência destas para o grande público que gosta de diversão barata.

Entretanto, já deve haver algum estatuto por aí que proíbe algo do tipo.Os políticos sempre estão um passo à frente de nossa cólera coletiva. É isso que os mantêm gordos e corados.

Creio que esta seria a forma ideal de evitar a venda da mercadoria enganosa das propagandas políticas. 

Seria... pois os políticos jamais legislariam um estatuto deste. Mas, se ainda assim fosse, num momento de boa loucura, aprovado, não tiraria o sono dos maus representantes: seria mais uma lei feita para não funcionar mesmo sendo constitucionalmente legal para o STF.

Mais do que qualquer coisa, o que nos mata a esperança é o verbo no futuro do pretérito que padoxalmente para os donos do poder, não é uma condicionante, é uma certeza imperiosa : "jamais nos alcançariam porque é assim que funciona a democracia".

Quem sabe quando a utopia conjunta chegar.Chegaria.

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* É filósofo e jornalista que escreve a coluna " Dias atrás " na revista "In Loco, Meu ".
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