segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SÓ MAIS UMA 'TOLEIMA', A ÚLTIMA DO ANO

Me rotulem do que quiserem, acho mesmo que estou me tornando uma rabugento arraigado, mas tem coisa pior e esdruxula do que a corrida de rua 'São Silvestre' ser realizada pela manhã ?

Crie-me assistindo à São Silvestre sendo realizada à noite, na passagem de um ano para outro, quando o vencedor praticamente cruzava a linha de chegada na 'última virada do ponteiro', motivo principal _ creio ser o único _ que a tornou mundialmente conhecida.

Era um programa de família. Lembro-me, apesar da tenra idade, de um nome, Rolando Vera, um equatoriano, baixinho, que era o capeta em forma de corredor. O cara apontava na reta de chegada e o locutor da TV, disparava: " Lá vem o pequeno equatoriano, pequenino mas com passos de gigante para vencer por mais um ano". 

Dos prédios da Paulista caía chuva de papel picotados e ecoava para coroar vitória a música-tema do filme Chariots of Fire. Era simplesmente épico.

Com esfarrapada explicação de se adequar para fazer parte do calendário oficial de uma tal federação internacional de atletismo (quem precisa do calendário daquela joça ?), depois de 65 anos de tradição ininterrupta, passou de forma bisonha a ser disputada à tarde.

Perdeu-se o encanto. Nem lembro-me mais a última vez que fiquei em frente à TV para assistir a corrida. Se caísse em meu colo uma pergunta valendo 100 milhões de Euros sobre pelo menos um nome de um vencedor da prova nos últimos 20 anos, eu continuaria o plebeu honesto que sou.

Para globo é mais vantajoso transmitir esta tolice de réveillon ao vivo, como se interessasse ao restante do Brasil saber quantas toneladas de fogos é queimada na praia de Copacabana ou na Avenida Paulista. Qual é magia de se ver bebuns hipócritas desejando 'próspero ano" a quem ele nunca viu na vida ? 

Como o que já está ruim tem a  imensa capacidade de se tornar pior, resolveram este ano que a disputa aconteceria pela manhã, para não atrapalhar a festa do tal réveillon na Paulista. Como sempre, na prática, o esporte é preterido pelo uso do álcool. Sai  os corredores e " Carruagens de fogo" para entrar os mamados atrás do volante e a macha fúnebre no feriado em comemoração a paz universal. Saem os corpos suados pela vivacidade do esforço e entram os corpos quentes pelas bebidas _ possivelmente alguns estarão frios e rígidos na manhã seguinte, para se tornarem ninguém, apenas números das estatísticas que não causam mais espantos.      

A continuar neste ritmo a corrida tende a ser disputada na madrugada do dia qualquer menos interessante do ano passado. O que minha vida perdeu por não mais assistir na virada do ano a uma corrida pedestre ? nada, absolutamente nada...aumentou com certeza minha saudade e minha insatisfação da falta de compromisso do meu país  com coisas tão pequenas que parecem nunca ter fim.    



sábado, 8 de dezembro de 2012

IVO VIU A UVA E DAÍ ?

"Ivo viu a uva". Toda uma geração de brasileiros começou a ser alfabetizada com esta singela e aliterante frase. Bons tempos aqueles, livres da raivosa ' patrulha dos politicamente corretos' ou da tropa rancorosa dos ' reacionários politicamente incorretos'

Fosse hoje, teria gente questionando porque não "Eva" no lugar do "Ivo" ou qual pensamento dominante ad eternum estaria escondido  na palavra "uva", ou se a uva teria dado permissão legal para que Ivo pudesse vê-la.

Haveria um pessoal preocupado pelo fato de não haver na frase uma menção à cor da uva, o que denotaria um preconceito implícito : " ela é vista por que é verde ou é por que é  roxa que não foi citada ? Acabariam esquecendo de frisar que uva pode ser doce ou ácida independente da sua casca.
 
Teria gente questionando: " Se Ivo pode ver a uva, por que não ser o contrário,  a uva ver o Ivo, através de um sistema de cota qualquer ? " E aqueles igualitários aos extremos poderiam sugerir que a frase ganhasse _ para o bem da nação _ a seguinte forma : Se Ivo & Ivão não querem ver a uva, podem perfeitamente ver o pepino porque Deus também fez o pepino ".

Bom, na última hipótese, o difícil seria a garotada soletrar todos os períodos. Quem sabe os " diferentes  meritocráticos " ? Talvez. Esse pessoal costuma tirar coelhos da cartola. Hoje tem criança ouvindo romance de Ayn Rand na barriga da mamãe ou aprendendo a trocar Deus por Ludwig von Mises para alcançar o paraíso na terra.

Estes, contestariam  se Ivo & Ivão não seriam meros bonecos a serviço dos " esquerdopatas que tomaram de assalto não só o Planalto, como a mente da população menos alfabetizada do país ".

Um coisa eu garanto:  não foi porque Ivo viu a uva que surgiram os traumas em parte daquela geração, que inclusive se encontra no poder. Não garanto, porém, se a retirada da frase foi responsável por o Brasil ainda patinar nas últimas colocações de tal ranking mundial sobre a educação.

Então, que deixem o Ivo ver a uva que quiser e deixem a uva se pronunciar por si se quer ser vista. Ela não precisa dos preocupados defensores da vida alheia. Enfim, deixem o Ivo ver a uva ou a fruta que bem desejar, mas não me forcem a acreditar que é "natural" o Ivo gostar de ver bananas desde criança.

E que deixem ao Criador a capacidade de julgar o Ivo e a uva. E se Ivo e a uva forem ateus ? Não é da conta de ninguém: à natureza ( ou à terra ) voltarão, indubitavelmente, independente do que pensem os outros ou eles mesmos.     

Vamos ao caminhar, pois duvido se já existiu época tão cheia de pode-não-pode( falo das proibições implícitas ) como os dias atuais. Êh, dias de frescuras !
   

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A VELHA A BAILAR

"_ Tamanha velha, tão boa de criar vergonha..."

Ué, mas por quê ? Ela não estava roubando ou praticando qualquer nulidade da vida social. Ela só dançava só, ao vento.

E daí se é velha ? Por que só aos velhos é cobrada " a vergonha na cara " quando quer ser livre das amarras ? O bebê é esperto, o jovem é rebelde, mas o idoso, o maduro, é sem-vergonha...  

E daí se ela dança na praça, enquanto os outros responsáveis pela produção do PIB, apressados, passam pela vida em busca das necessidades criadas pela natureza e na correria pela satisfação das necessidades artificialmente desejadas ?

Se a praça é pública, construída pelos encargos e impostos arrecadados pelo poder constituído, ela, que já contribuiu por longas décadas, é sócia majoritária.

Mas o que causa tanta ojeriza nas pessoas ao verem uma senhora idosa a dançar em praça pública, ao som de música nenhuma, a não ser aquela surdamente soprada na sua mente já cansada pelo tempo ?

Não poderia explicar o porquê do bailado, pois não compreendo-o. Quem baila não é humano,  na dança não há racionalidade, o corpo segue o som guiado por uma mente dormente, dopada; o corpo a desafiar a lei gravitacional . Ou se pensa ou se dança, não há meio termo.

Mas também não é bicho de outra espécie quem flui a se mover pela superfície sem andar ou não correr. Neste planeta, só os humanos desde as mais tenras sociedades dançam sob o som.

Deve então ser coisa de espírito, esse movimento. Talvez seja por isso que alguns vejam a dança como criação do mal, a seduzir o humano; enquanto outros a veem como a sublimação do ser,  portanto divina.

Aqui, penso em meu pobre filosofar  que o que desafia a visão daqueles que a reprovam é ver o corpo dela, flácido, a se mostrar  e remexer. Aquilo demonstra uma verdade cruel: _este é destino final de toda juventude, o que causa certa repulsa.

Então determinam que se deve esconder a realidade. É demasiadamente humano _ e restrito também à espécie humana _ a consciência sobre a velhice, sua decadência física e o medo inconsciente que isto provoca.

Pois bem. Queria eu, se velho ficar um dia, também quebrar esse protocolo tolo de que um idoso não possa ser um maluco a desafiar os  paradigmas de uma sociedade incrivelmente incomodada com a alegria alheia.

Fazer como aquela senhora, ali _ que já cumpriu com todas as etapas da caminhada terrena _ dançando na praça, sem tirar nada de ninguém, a não ser alguns segundos da atenção deles, nem que seja só para lhe rogarem impropérios  por ela ser livre, leve e solta _ e velha, este, o único  mal.



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

TOSCA (E/ OU CHULA) SIMETRIA


Há um tempo, um pedreiro preguiçoso fez um tremendo de um bolo fecal _ para não escrever MERDA, já que isto é um blog de respeito_ aqui na minha personalíssima residência. 

Então, com  crise de humanismo e uma  tola pretensão de ensiná-lo a ser gente na vida, recitei-lhe um trecho do Fernando Pessoa ( ou Ricardo Reis) , assim colacionado:

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Resultado: mandou-me tomar no cu, o mal educado.  Não vou , _ foi o que lhe respondi _ e por dois motivos muito simples: primeiro, que nada conheço dessa linguagem chula ( a gente tem que se impor !) e segundo, fosse bom fazer isso aí, você não estaria agora me mandando ir, já teria ido na frente há muito tempo...  

Se o paguei ? Sim. Considerei a possibilidade de ele não ter culpa de ser o filho de uma puta. E não estou me referindo ao fato possível de ela ( a que o pariu ) ser uma prostituta, uma profissão sofrida e para quem não tem outra opção na vida. Falo de ser uma relapsa com a educação do filho...

Antes de ir embora, ele ainda me disse: " O  sinhô é um cara estranho... mas é legal.

Não externei meus pensamentos que estavam _ ainda _ em conflito se  mandavam-no  'ir com Deus' ou para a 'puta-que-o-pariu !'

terça-feira, 27 de novembro de 2012

FERIADO, HOMEM LIVRE SEM CABEÇA

No último feriado em respeito ao dia da proclamação da república,  presenciei uma cena que quem ainda não viu, ainda findará por assistir. Talvez poucos parem para observar, como fiz :  vi um homem sem cabeça !

Foi ali na avenida 25 de agosto, em frente ao quartel do Sexagésimo Primeiro Batalhão de Infantaria de Selva (!), ou "Sexto Primeiro BIS" como achava mais fácil dizer aquele lendário político.

Não é potoca. Um homem, de pele clara, vestindo camiseta regata " made in Rio" e bermudão ao estilo dos garotões da zona Sul Carioca, estava sem cabeça. Não literalmente, pois algo existia no lugar a separar-lhe as orelhas !

Digo sem cabeça, pois me pareceu uma saúva decapitada a procurar desesperadamente o membro detentor da visão. Quem já viu uma formiga assim, sabe do que estou falando : O corpo, sem rumo balançando de um lado para o outro.

Se aquele homem, jovem, branco, tinha cabeça, faltava-lhe o recheio do cérebro. Se tinha o mais importante órgão de comando do corpo, então este não tinha conexão com os membros superiores e muito menos com os inferiores.

Ao ver aquela criatura possível acéfala, quase humana, me levou a pensar na  história de vida dele. Todos têm uma. Creio que ao segurá-lo pela primeira vez nos braços ou no colo, os pais _ou ao menos um deles _ devem ter sentido orgulho e alegria de sua descendência : _ Meu filho vai ter uma vida melhor que a minha...

Indubitavelmente aos pais, não agradaria vê-lo naquela situação, com os transeuntes ignorando-o como gente. Um bicho sem motivo para comiseração, respeito ou a menor das atenções.

De que posso deduzir da sua exposição é de que seria pobre o bastante para não possuir um automóvel ou moto. Caída estava ao seu lado uma bicicleta, daquelas antigas de barras circulares e com má conservação. Deduzo que assim seja, visto que em nossa cidade plantada entre colinas, quem ousa a andar de bicicleta ou é atleta ou é pobre. Aquela figura sem rumo, não seria atleta na concepção original da palavra.

E o homem aquela hora, ali em pleno feriado nacional de liberdade, a estar preso à sua fraqueza. Mas de que mal sofria a ponto de ter a cabeça dissolvida ?

Nisto, passa um grande carro, polido, de vidro fumê, reduz a velocidade e de dentro, um outro bicho solta um grunhido e atira ao homem sem cabeça uma lata seca de cerveja nacional, daquelas que mata a sede e atrai lindas mulheres de perfeitos corpos dourados.

Como de súbito, gastando o último raio de humanidade, o homem, branco, livre e jovem, desesperadamente procura levar a lata vazia, suja na poeira, aonde possivelmente imaginava um dia ter uma boca. De dentro do carro ouve-se gargalhadas simiescas. O automóvel então sai em disparada, deixando aquela visão grotesca e escarnecedora para trás.

Depois de vários minutos de agonia para mim que assistia à cena e torcia para que aquela criatura localizasse a cabeça perdida e tomasse o  seu rumo, ele finalmente tombou para o lado, em cima de um gramado, achando uma sombra, onde ressonou alto.

Então,  friamente, resolvi seguir meu caminho, entregando-o ao acaso : não era última cena de um homem sem cabeça em pleno feriado ou fim de semana que presenciaria em minha jornada terrestre. Eles estão aí aos milhares buscando a alegria que faz perder o rumo e a dignidade da vida.

Suave veneno que permite ser bonito dizer : _ Ontem tomei todas.... Bom, se para alguns não é bonito, ao menos é normal.
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Nunca vou entender essas mirabolantes convenções sociais e o que pensa  o nosso moderno monstro Leviatã ( Beba com moderação, o Ministério adverte, Diga não às drogas...), só devo agradecer ao destino por não ter me feito bicho afeito à escravidão da liberdade que me permite se envenenar a cada oportunidade.

Ao chegar em casa, assisti na TV que o governo e o Organização Mundial de Saúde estão deveras preocupados com a população que mastiga e engole a gorda carne vermelha. Deve ser isto: seu coração não pode parar, mas sua cabeça pode ser perdida pelas esquinas, seu corpo destroçado pelas ferragens e suas entranhas rasgadas pela arma do adversário eufórico.

Em tempo: As lindas mulheres de corpo dourado não curtem os homens barrigudos que abusam do direito de comer a carne com alto teor de colesterol. Não é "ão". A não ser, claro, que  a gula seja acompanhada daquilo que não faz parte dos sete pecados capitais : A criatividade das propagandas de fazer nascer um mundo paralelo e perfeito, o qual  só o álcool é capaz de proporcionar.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

PARECE NÃO SER

Enquanto eu deliciava um sorvete, hoje à tarde, uma moça se aproximou e quis saber se eu era o " Jairo Nolasco, que escrevia o blog Jurubeba".  _ Sim, foi o que, ainda surpreso, respondi.

Surpreso, porque jamais poderia imaginar que alguém pudesse me reconhecer pelo o que escrevo no blog, ainda mais alguém de sua faixa etária, hoje fadada a se apaixonar pelas frases feitas do facebook, este fenômeno da comunicação moderna. Escrever em  blog já é 'demodê'.

" Foi você quem realmente escreveu aquele soneto sobre a hipocrisia ? "( vide a última postagem).  Sem graça, balancei positivamente a cabeça. " Não parece", completou depois.

Em frações de segundos minha mente viajou há décadas, ao tempo de estudante secundário no Colégio Estadual Rio Branco em uma aula de literatura. Um professor _ que à época, para mim, era um esquisitão magrelo movido a cafeína _ tinha solicitado à classe, na aula anterior, uma redação narrativa/descritiva. A melhor seria premiada.

Passei o dia a imaginar a cena para descrever. Depois de achar a adequada, passei a descrever ao estilo de Aluísio de Azevedo, já que eu acabara de ler o livro " O Cortiço ". 

Até hoje acho o escritor um injustiçado, deveria ser sempre citado entre os maiores. Para mim, o cara é um monstro de nossa literatura. Aquele livro,  li de um só fôlego e me apaixonei pelo estilo. Incrivelmente, até hoje sinto o gosto da "fumegante palangana de  café com parati " , que a Rita serviu ao Jerônimo, não obstante eu nem saber o que é mesmo  'parati'. Povoa minha mente como algo de sabor  super tropical.

Inspirado no melhor, fiz correr a pena pelas linhas pré-desenhadas em azul pálido da folha de papel branca. Fiz as personagens ser parte integrante do meio em que estavam. Descrevi tudo nos pormenores, como se um filme fosse, cena a cena.

A redação foi considerada pelo professor como a vencedora. Foi lida em voz alta em sala. Uns colegas me ofereceram os parabéns, outros fizeram som de muxoxo, ignoraram, e teve  quem achasse que aquilo de escrever daquele jeito era coisa de boiola, a despeito de eu não ser um baitola.

Entretanto, o que marcou mesmo foi no fim da aula, quando o professor me encontrou no corredor e falou-me à boca curta: " Ficou muito boa, mas  foi você mesmo quem escreveu aquilo ? Se foi, continue que você tem um certo talento, se não, pare agora mesmo, o futuro dos falsários é a cadeia..."

Por motivos vários, mandei meu suposto promissor talento de escritor, enxergado pelo preconceituoso professor, às calendas gregas. Persistiu, entretanto, um certo orgulho de ter causado estranheza em quem jamais acreditaria em minha figura : _ quem diria este paspalho que senta no fundão não é o marginal que eu pensava...

Agora, aquela  mesma sensação novamente. Minha figura não inspira mesmo confiança: _ Foi você  quem escreveu aquilo ? Não parece....

Realmente não pareço. Em  verdade, eu sequer consigo ser em emblema o que sou em letras. Sou pólos opostos a causar estranheza. Às vezes sinto vergonha do que escrevo. Já quis até parar, me afastar, não me expor ao ridículo. Mas não me mando. Virou vício.

O que consigo ainda fazer é não publicar tudo que redijo, tenho mais de 200 rascunhos a espera de coragem para liberar... grafo todo dia a qualquer folga no tempo.

O melhor mesmo foi  o que ela disse ter entendido do soneto. E querem saber ? bem superior do que realmente eu quis dizer. A interpretação dela foi sensacional, eu só pude concordar. Talvez se eu tivesse visto por aquele ângulo teria escrito algo mais decente.

Espero ter feito mais uma amizade para meu parco circulo, não necessariamente um leitora fiel. Torço, que ela, ainda muito jovem, mas com gosto pela leitura, também escreva e seja infinitamente melhor do que eu.

Como é bonita e muito espontânea não correrá o risco de alguém perguntar : _ Mas foi você mesma quem escreveu ? não parece... 

Post Scriptum : A não ser que ela escreva sobre Economia, aí ninguém vai acreditar...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

ELES DÃO O PESAR E EU SÓ OBSERVO...

SONETO DA FRIA HIPOCRISIA
 
E a vela, trêmula, a mão meio segura
que já te lançou pétreos impropérios
à boca que não mais roga deletérios
ao corpo livre da material amargura.
 
Crispadas, as mãos frias postadas
a separar por outrora vital unida
ao cessado pulsar sem mais guarida
das quentes(ex-recentes) forças separadas
 
Cara, vai, leva contigo a verdade cruel e fria
que a vistosa de bronze encerrada
não ver a torpeza mordaz incontida
 
Agora, com nada, és neo camarada
quem, sem tudo, inflamava a ferida
a  dias viver - barato é - a bondosa hipocrisia
 
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CURTÍSSIMA METRAGEM

Foto

Alguém me critica por gostar da história. Sim eu reverencio a história. Me odeiem e me desprezem por isso.
 
Só não me tirem o prazer de viajar, e é isso que faço: uma viagem no tempo.
 
Volto ao passado só no pulo da mente, mas preso lá eu não fico.
 
Do distante passado eu já vim de muitas eras, preso não preciso ficar.

Não é para frente  que se anda ? Pois então ? O que custa vez ou outra olhar para trás ? 
 
Volto para entender o presente, o tempo que me aprisiona o físico e minha experiência, jamais o espírito.
 
E passaria incólume ao meu empirismo o Clube Ideal, localizado onde hoje fica a delegacia geral  à Rua Rego Barros.

Quando  cheguei, nem vestígio da histórica construção, que muito outrora movimentou o social por aqui, tinha mais.

Quando então vem a foto, que aprisiona o instante, e quem mandou-me-a diz: " Bons momentos aí vivi "

Pronto. Não tirou pedaço de ninguém e o mundo continua.

Mas  hoje pela manhã, assobiei uma velha canção que há muito não ouvira mais....

 

domingo, 28 de outubro de 2012

MANUEL PIAU* NARRA SOBRE O VOTO VAGINAL, EU COMPLEMENTO

Atenção ! Contém teor proibido para menores de 18 anos ou para quem acha que palavrão escrito é mais feio que o pronunciado. Se você é casto(a) não continue a leitura.
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Prezado Jurubeba, a cá trago um abraço dado.

Li que sua persona anda está a ocupar-se no cotidiano de modo que tempo lhe falta para escrevinhar  uma história sobre um voto vaginal que valeu por demais pois.

Se de seu agrado for, posso assim realizar o conto. Tempo não me falta deste então já que estou a descansar do livro que estou a produzir.

Veja então que desta bebi da própria fonte : quem votou é que me contou. Não há do que duvidar. Me leia e depois diga se não compete em verdade com o que de ouvido ouvistes.

Lá pelas décadas de antes , o voto obrigatório era, portanto, como assim o é hoje. Mas lá é que não tinha essas máquinas que se digita os dígitos e a  face aparece. Era o nome escrito mesmo  no papel para os candidatos da proporcional. Para os da majoritária era marcar um "x" nos quadrilongos. Veja se não confere...

Pois quem assim me contou, sr. Jurubeba,  foi ele que a arte fez : Nelson Manga, que pelas épocas morava pela Baixa-da-Égua e hoje se enfunou na capital. E foi lá que me espichou a conversa.

Disse que já andava acabrunhado com tantas promessas não cumpridas que decidido estava não mais votar naquela ocasião. 

Naquele dia como de costume estava a dedetizar as entranhas com álcool não medicinal, não a ligar para as proibições estatizantes da tal lei da secura bebedina em tempo de escrutínio. 

Foi demovido da ideia de não comparecer pela patota patriota a lhe exortar : "Vai lá, Manga, não bobeia que com a lei ninguém brinca, cumpre tua responsabilidade, homem. Vai votar "

Ferrado tava, ferrado foi. Mas foi putializado, babando nos sapatos: " Morféticos dos infernos, vou mas não dou meu voto ! "

Lá chegando, enfrentou fila quilométrica. Prevenido, só o craniano  balançou para dizer sim ou não. Bafo não soltou que besta não era.

Suando que nem garrafa gelada em mesa, adentrou na cabine de papel. Ele fez o planejado já no caminho.

No lugar de marcar um "x" nos quadrilongos fez melhor: desenhou abaixo deles outra figura geométrica , um triângulo. Aí enfeitou o danadez com vários cílios, como se olho fosse. Ainda desenhou um risco vertical, dentro. Foi a única coisa que restou de sua aprendizagem em tempo de primário.

Para completar a troça, no linhado para escrever o nome do vereador, pensou em escrever o palavreado que soltava sem pudor quando putiado estava e sem saber o porquê : BUCETA !  

Mas em última hora, lembrado ficou da única missão educacional que seu tio materno lhe inculcou quando de conselho sobre boa educação: Gente letrado usa outras palavras para se falar das partes baixas dos humanos homens e fêmeas.

Foi que tamanho esforço fez pela lembranças escolares que conseguiu o intento. Escreveria então o científico. Bêbado e pobre era. Ignorante não.

Aí ele riscou de cima a baixo, em letras trêmulas e demoradas de mãos pesadas pelo alcoolidez...V- A-G. Na hora do I fecharam-lhe as pálpebras e ele pulou para o N e depois A. De modo que ficou assim:
V-a-g-n-a
 

Perceber depois até que percebeu, mas borrar depois de escrito não era seu perfil. Se estava assim, assim ficaria. Esforço não queria ter. Dobrou, atirou na urna de boca larga e foi-se embora já gostoso do novo gole da cana moida e destilada....

Confere com teu ouvido, prezado Jurubeba ?

Um abraço 

Do amigo Manuel Paca Concha de Andrade Piau, seu criado.

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Caro Manuel Piau* 

Do meu lado conto de forma sucinta o que relatou um amigo que na época trabalhou como escrutinador, contando os votos declarados nas cédulas.

Segundo ele, na hora que o tal voto, que você tão bem descreveu, apareceu na apuração foi um rebu e tanto. Um cabo eleitoral  queria contabilizar como de seu candidato fosse. O presidente da mesa não aceitou. O cabo eleitoral então apelou para o juiz eleitoral.

O juiz,  já cansado de tanta aporrinhação, se aproximou e viu a arte. Alisou o bigode ralo.   

Enquanto isso, o cabo eleitoral apelava:
_ Veja sêo Juiz, dotô, que o nosso povo é anafabeto não sabe escrevêr dereito, tá claro que quisi escrevê o nome do meu canidato a vereadô, mas acabô errando, coitado...
_ E como é o nome do seu candidato, meu jovem ?

Depois de ouvir, coçou novamente o bigode e disse: " _ Hum....é , assim seja. Mas vale a intenção na democracia. Contabilize aí para o tal,  presidente".

Mas antes de devolver a cédula para a mesa, com um sorriso maroto, de canto de boca, perguntou ao presidente da mesa: 

_ E para prefeito, tem algum candidato que começa com P, B, ou V, ou que seja  barbado e tenha o rosto triangular?
_ Não, senhor...
_ Então fique assim anulado o voto para prefeito !

O meu amigo, que é um gozador, acha que naquela ocasião se teria  criado uma 'jurisprudência' na justiça eleitoral :  também valem os votos 'abucetados', sejam de bêbados ou não !

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Manuel Piau * é alienígena alienado que jamais tomou chá de pau-barbado. Cientista político, fundador do partido de um homem só, agora escreve romances sem capa ou conteúdo.

domingo, 21 de outubro de 2012

COLUNA DE DOMINGO 21 10 2012

A pedidos
estou retornando minha coluneta dominical, sem amor, ódio ou paixão. Gozar é sempre bom quando saúde se tem.

Não perdi nada 
Com a reeleição do tal. Minha família não tem empresa para prestar serviços ao poder público, tampouco visava a cargos qualquer que seja. Na mesma toada continuo.

Mais uma vez
Ele é prefeito da minoria. É o que disseram os votos. E diferente do que alguns acham não vejo nem um mérito pessoal do tal  nesta vitória. Faltou foi a verdadeira vontade vencer dos seus opositores.

Corrigindo
Houve foi mesmo uma grande má vontade. Parece, às vezes, jogo de cartas marcadas. O Mestre morto politicamente estava dentro da cidade. Morto continua. Perder para um zumbi é areia nas entranhas.

Cadê
O aporte ? Faltou o aporte de uma lado, sobrou para o outro nos últimos dois dias. Estranho, muito estranho.... parece coisa de teste para a próxima, né não ?

E também a pedidos
Morre a partir de janeiro próximo, a Cidadania e Trabalho, nasce por aqui,  no Jurubeba, a maravilhosa Vagnópolis. Já está  pronto o projeto para ir ao poder legislativo e ser aprovado com louvor.

Conspiração cósmica.
Lembrem-se que a este é o último ano de uma era.

Não percam 
Estou aguardando tempo para contar a história de um candidato que ganhou a eleição por conta de uma Vagina. Foi no começo da década de 90. Como diz aquele personagem: é fato 'venérico' !

Quem me contou ?
Como dizem as personagens do Jorge Amado : " Contar, poder posso é nunca"

Não adianta
Se iludir com o poder legislativo. Quanto  maior a esperança pior a decepção. Não boto fé. 

Renovação ?
De quê ? maior teve a anterior e deu no que deu. Quando se vai aprender por aqui que mais importante que pedras é o tabuleiro, na política ?

Sangue novo
Já corrompido. Teve candidato eleito que recebeu generoso apoio financeiro de empreiteiro e ex-vereador. Alguém em sã consciência acredita na boa-fé e que não haja interesse maior por trás destes aportes ?

By the way
como dizem os americanos. O Igarapé Preto está com os dias contados. A cidade crescendo para lá e a ninguém  nem sabe o que é ou para que serve um plano diretor.
  
Qual é mesmo a categoria 
do Jurubeba, perguntou um leitor. Bom, por aqui, mesmo que às avessas e pobremente, falo de tudo. Menos de Filosofia que é coisa para povo sabichão e que escreve bonito e reto. Eu 'bambeio' por demais nas palavras, se é que você me entende. Também não me saem dos dedos palavras lindas que elevam a vida dos leitores do tipo: " Quão maravilhosa é a vida quando se ama a ver o belo amanhecer..".

Se é para rotular
classifico como o da Inutilidade. Papo de pilhéria e espaço lúdico.

Agora 
Já me vou para Ipapeconha revirar minha canastra e achar velhas fotos que me causam surpresa por vê-las novamente, mas de um ângulo que só o passar do tempo pode propiciar.

E para finalizar 
" Cordélia _ Há de o tempo desvendar o que hoje esconde a discreta hipocrisia." ( Shakespeare, O Rei Lear, Ato I).

Bom domingo !



sábado, 20 de outubro de 2012

HIPOCONDRÍACA HIPOCRISIA DO NOSSO BOM DIA

Não sou, nunca fui e nunca serei um 'amor de pessoa'. O pessoal me critica na ausência por não ter me especializado em dar bom dia . Essa gente mesquinha e falsa adora receber e dar bom dia. Quebram a cara porque o meu dia só vai ficar bom mesmo lá pelas 10 horas da matina. É coisa minha, não tem jeito.

Como não sou hipócrita não faço cara e boca de boboca. Aliás, meu semblante não engana a ninguém, quando estou puto qualquer um percebe. Não faço questão de esconder, sou péssimo ator na vida. O que me faz ser assim ?  Sei lá, talvez tenha qualquer disfunção do sono ou coisa que o valha.

" É um sem educação, grosso, mal humorado, sem Deus no coração, mal amado" são alguns dos diagnósticos a que o povo especializado em boa educação me submeteram.

Posso até ser isto aí mesmo. Só não entendo por que as pessoas bem amadas, educadas, finas, bem humoradas e representantes do Criador nesta Gaia se irritam tanto com quem não está habituado a dar bom dia.

Com todos os meus defeitos não me chateio com quem me oferece um bom dia, mesmo quando feito de forma mecânica. Não costumo é retribuir. No máximo devolvo é um 'Emanuel'. E povo que tem Deus no coração ainda fica irritado. Depois eu é que não tenho senso de humor.

Será que essa gente se permite dar o primeiro 'bom dia' ao espelho ?

Aceito o rótulo de 'sem educação' quando o fato é ser bem-educado, cortês. Adoraria morar num mundo ideal no qual realmente o 'bom dia' funcionasse, assim como o 'com licença', 'por favor' e 'obrigado'. Admiro quem assim procede de coração, mas é que na pressa eu acabo esquecendo de praticar. Prefiro, entretanto, ser mais pragmático. 

Prefiro respeitar a vez dos outros seja nas filas, seja no trânsito. Prefiro devolver o achado que não me pertence, prefiro quebrar a corrente da maledicência quando esta a mim chega, prefiro não criticar ninguém na ausência, prefiro me calar quando não tenho nada para dizer. Prefiro a palavra branda ou mudar de assunto quando este é inconveniente a outrem.

Prefiro ajudar ao próximo, melhor ainda se eu anônimo ficar. Não faço isto para ficar de bem com a lei, com Deus ou porque tenho medo do tal diabo, esta tola criação mitológica. Faço para me sentir acima tudo de bem comigo mesmo e é o que basta. É a medida do meu egoísmo. 

Melhor do que boas maneiras, é a decência, a honestidade, a lealdade, o cumprimento das dívidas morais ou financeiras, a boa-fé, a tolerância...Superior no ser humano é sua essência ? Talvez, mas e seus atos e ações ?

Estou realmente longe de ser um amor de pessoa, na mesma distância contrária  que me torna o pior entre as gentes por não ter aprendido a dar o obrigatório 'bom dia' de todos os dias.

Jamais pediria que as pessoas, por bom alvitre, deixassem de desejar 'um bom dia' às outras. Só quero não ser forçado a exprimir minha contagiante alegria matutina, para parecer mais humano. Eu só quero ser a exceção da regra.

Bom dia :  "Aqueles nunca terão, jamais terão".

P/S: Pior que isto é ter que responder " Deus te abençoe" depois de um " a benção tio ". Melhor seria dizer :" Faça a coisa certa na vida moleque e fique dispensado desta toleima social opressiva para comigo. Prefiro um caloroso abraço a essa fria mecânica de estender a mão com frouxo aperto. O abraço é tão divino quanto o largo sorriso". 
   

sábado, 13 de outubro de 2012

CACHORRO 00171 SUA MELANCOLIA É A MINHA

Saindo de uma agência bancária aqui na cidade do Trabalho e Cidadania, depois de escapar de dois pedintes, suspeitos estelionatários de olhares piedosos, deparei-me com ele.

Encolhido no canto da calçada, dormindo em pleno sábado de sol.

No Centro.

Malhado, de pelo brancos e castanhos.

Um cão vadio

Sem onça pintada no cio, ou de olhar agateado para se apaixonar.

Ainda assim, livre.

Um cão vadio é livre das coleiras e da missão de guarda do patrimônio do alheio.

Foi sua utilidade depois que perdeu o homo faber sua necessidade de caçar para sobreviver.

Foi escalado então o cão não-assalariado para proteger a propriedade.

A evolução da inutilidade do capital transformou alguns em mimos.

Enquanto alguns filhotes de humano morrem à míngua, de fome.

Mas tem cão também  sem emprego, como aquele que sem ocupação é vadio, sem futuro, vivendo o agora.

Mas êpa ! o tempos são outros !

Aquele malhado ali tem registro.

Uma plaqueta amarela na orelha esquerda, número 00171.

Ele não é só mais um cão. Pode ser identificado.

É a evolução da bioprisão, do biopoder.

Depois dos humanos, agora os canídeos.

Um cão emplacado !

Qual a utilidade disto ?

Talvez no próximo acidente com motociclista :

"_ Segundo algumas testemunhas o número do cachorro responsável é 00171."

 O domícilio é necessário diz o Poder: "O local é onde se encontrar"
 
Um dia depois do tal dia das crianças e ninguém o acha engraçado, fofo e esperto.

Não ganha cafuné, pudera, não movimenta o comercio. 

E o olhar é só de uma profunda melancolia.

Cachorro 00171, no lugar de versículos, artigos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

POBRES RIMAS PARA OS VENCEDORES DA INOCÊNCIO CITY

Ontem, em cidadezinha de "sonhos pequenos que nunca têm fim", no interior  de um estado "longe demais das capitais" ocorreu a diplomação dos escolhidos pelo povo para nos guiar ao caminho da redenção.

Lá, não estive. Mas ainda pude, mesmo assim, imaginar o desfile em um sonho _ desses sonho qualquer que se sonha só. Nas verdades, eu já sonhara bem antes de ontem, só esperei o momento certo. Resolvi então contar em versos que só agora publico.

Saíram-me péssimos, pobres, mas como escrevo só por 'amor', não terei problema com os patrocinadores.



Eis aí:


Por aqui já virou moda falar
de quem foi embora ligeiro,
esquece-se do mais importante:
quem fica, vai ganhar nosso dinheiro.

Coisa ruim de engolir é Jurubeba
Por seus espinhos e amargores
e agora aqui _só de birra
vou falar dos nobres ganhadores

Se quem perde, de balsa vai embora
quem fica é atores e atrizes
homens e mulheres felizes
se achando os donos da bola

Peço-lhes atenção meninos, meninas
Senhoras, senhoritas e senhores
vai começar o grande desfile
dos nobres vencedores

E começa o espetáculo
com o povo todo aplaudindo
e alguns candidatos,outrora amorosos,
agora num vem nem sorrindo

Quem começa o desfile
é povo da  laranja Frente
que não está comemorando
parece não muito contente


O primeiro é um galego que
não está nem um pouco avexado
e o povo da oposição grita:
" _esse aí parece invocado !"

O galego acena com a mão
e mantém firme o andado
chama a imprensa e diz
eis aí o meu recado :
" _ Tá ruim pra você coronel
não vou ser pau mandado ! "

Atrás dele vem uma mulher
que o povo tira o chapéu
com ela se não for na calma,
vai é  assim mesmo: aos emboléu !

De uma escola já foi diretora
mas nunca teve assombros
para muitos a complicada tarefa
ela carregou na raça e nos ombros

De fibra, guerreira,  e muita coragem,
gasguita, como mulher que se preze
foi logo dizendo, sem pensar muito:
" Coronel, já se ajoelhou ? agora reze !"

O terceiro a entrar na passarela
já de tudo fez um pouquinho na vida
professor,sindicalista, gestor, jogador
cantor, pastor,gari... só não foi margarida.

Na campanha apareceu na televisão
falando " pra você servidor municipal
ou prefeito fazendeiro vai dar aumento
ou na câmara vai levar muito pau "

Desse time laranja do contra
um homem foi o último a entrar
desconfiado olhou de um lado a outro
não sabia por onde começar

Mais aí lhe veio um estalo
um pensar repentino volver
peraí ! não esta não é a primeira,
desta feita vou botar pra ferver

Acabando a 1.ª parte do desfile
um rumor do povo se escutou:
Desses 04 aí minha brava gente 
haverá por acaso um traidor ?

Olha que o povo tem razão
tome nota, o desconfiar é  perfeito
da  famosa   legislação passada
funcionou o olhar do jiboia-prefeito
************************
Vai começar a segunda parte que
de agora no Jurubeba é tradição
é a galera do 'pula-pula ligeiro',
que o prefeito, lisonjeiro
chama de 'exército da situação'

E foram eles chegando sorridentes
e o pequeno burburinho aumentando
e a galera curiosa só querendo saber:
"_ Nego véi, quem tá mesmo mandando ?"

E o primeiro foi um jovem rapaz
filho de um político já saudoso
me pareceu, inteligente,capaz, 
não trazia no rosto um olhar medroso

Falou em alto e bom tom
na política sou um pinto no ovo
mas fiquem os senhores sabendo
vou está sempre ao lado do povo

Entrou a segunda mulher,
do povo do 'bem' ouvi elogio rasgado
tem nome da família, não nega
o prefeito pode ficar sossegado

O próximo, um cara de azul me disse:
"é um homem muito trabalhador"
Tá bom, assim seja, só não pode é  agora
repetir pra tudo," sim sinhô, sim sinhô"

Evem outro,
Começou um grande murmúrio
era a cúria   mostrando espanto
não iniciou a campanha como favorito
mesmo tendo dois nomes de santo

"É, podia ser desconhecido"
falou um sujeito antenado
"mas é muito amigo do 'homi'
aí teve  voto muito casado"

Quem tem reza e santo forte
isto aqui não me apraz
pode ser um dos eleitos
veja o que dinheiro não faz !

Ouviu-se agora no desfile
ainda constante apulpado
a vila te deu outra chance
e agora vai dar o recado  ?

Começou um alarido ruidoso
que parecia um tropéu
em pleno mês de outubro
quem faz semelhante papel ?

Pela terceira vez ganhou
a vaia comeu no centro
e não era  'O cara do posto' ?
aí ninguém ficou isento

Sempre tem gaiato se ficar
no canto quieto, calado, pira
na oportunidade apontou:
'_oia o homi do fura-fila'

O povo só se acalmou
quando outro pisou no tablado
olhando de lado pra outro
o pessoal achou engraçado

Era meio desconhecido
desses partidos nanico
o povo manda: " trabalhe
pois a urna não é penico"

Sentiu-se então  um cheiro
de piau, sardinha e mandim
mas não apareceu peixe
e sim um cara gordim

"Caiu na rede é peixe
levanto cedo da cama
como sou amigo do fazendeiro
eu vou brigar com o Ibama"

O penúltimo na senda entrar
faz trabalho que o povo tem medo
vestido todo de preto, barbado,
parecia bisneto de cel Azevedo

A segunda parte foi fechada
por outro também desconhecido
que da viagem da balsa foi salvo
graças à legenda do partido
************************
A terceira  parte já começou
mas eu não tirei o chapéu
pois na passarela adentrou
um gabola e peitudo coronel

O homem se diz do povo
mas sequer pisou no chão
do alto de sua empáfia
desfilou em caro alazão

O quadrúpede é gordo bicho
não come angu sem caroço
dorme no ar refrigerado, dizem
e o eleitorado que more no poço

O dono imitou o Lula
mas nem o dedo cortou
e o desdentado contente:
-" deixa o homi trabaiá prisiguidô! " 

O que a eleição mostrou
o Jurubeba antes já sabia
o homi agora aí reeleito
é prefeito da absoluta minoria

Se você leitor já quer saber
preste atenção no que digo
ganhar até que o cara ganhou 
mas na cidade não é querido
62 por cento disse não !
e ainda lhe deram apelido
 
"Prefeito xibiu", gritou um
eleitor, aí desses enxerido,
por quê ? perguntou outro
"Ué , ele não é o perseguido ? "   

Não existe nada tão ruim 
que não possa ficar ainda  pior
 mas já o verso tá quase no fim
 mas então  vamos lá, espie só

O mestre da politica é astuto
fã da minisérie global 'Gabriela'
não adiantar trincar os dentes
quando se tem a boca banguela

Depois de ouvir o insulto
tentou logo ali se vingar
disse se prepare minha cidade
que agora eu vou te usar

Começou um grande rebuliço
que não vou contar por inteiro
o lance foi muito, muito rápido
foi sim muitamente ligeiro

Um eleitor muito invocado
quis logo arrochar o artista
danou tremendo chute no saco
mas acertou a boca do jornalista

Por aqui eu termino agora
sem citar nome de ninguém
deixo por conta da imaginação
do povo 'do mal' ou 'do bem'

O conteúdo é pobre, confesso,
não levanto minha bola
como desculpa eu digo
É o que pude em meia hora

Sem grana sou, então  peçam
por favor, àquele que cuida dos seus
que depois de ouvir as críticas, meçam,
 ele não disse, "vou entregar é pra Deus"  ?  


O blog é inútil, é pobre coitado
mas não sabe ficar no muro e mudo
aprendi com o poeta a ter lado:
" Não seja só metade, sê tudo"

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

UMA MÁ PARÁBOLA, SEM MORAL OU PEDAGOGIA

Acordou como de costume muito tarde. Malgrado a mesa farta, não tomou o 'quebra-jejum, faltou-lhe o apetite, então pois-se a ler a internet para ficar a par do noticiário local e nacional. Fatos internacionais não o interessava mais para aquele momento. Da Síria só conhecia o pão.

Prendeu a atenção em matéria de jornal on-line local que falava sobre uma pesquisa na qual o eleitorado opinava sobre o perfil do político da terra que um dia o general francês, De Gaulle, ousou dizer que não era um país. 99 % dos entrevistados descreveu como falsos e hipócritas seus representantes políticos.

De imediato veio-lhe a luz : " Meus sais, o eleitor pede por políticos sinceros !"

Naquela noite aconteceria o último comício da coligação. E que coligação ! Tinha ideologia partidária para todos os gostos. Havia preparado de véspera um discurso inflamado e ao mesmo tempo comovente. Já tivera sucesso em conseguir fazer rolar lágrimas pelo rosto diante do espelho do banheiro. Um perfeito ator.

Passou a tarde meditando sobre o teor da pesquisa e do sonho que tivera na noite anterior. Como não tinha o dom do bíblico do José do Egito, não conseguira decifrar-lo ainda. Mas eis que aquela pesquisa lhe abriu a mente de estalo. " Nasce aqui um novo político", falou pra si, estufando o peito.

À noite chegou. O comício era grandioso. A cada cinco minutos chegava um caminhão ou ônibus lotado de simpatizantes pagos para levantar as bandeirolas da coligação. As pessoas têm uma simpatia enorme quando são regiamente pagas.

 No local caberia no máximo umas cinco mil pessoas. Mas já estava tudo acertado para que as manchetes do dia seguinte falassem de coisa de aproximadamente trinta ou quarenta mil presentes. Quem vai contestar dados fornecidos pelos matemáticos da polícia, não é mesmo ? Obstante, claro, a polícia normalmente não aparecer na festa da democracia.

E começou o foguetório. E começou a fala dos candidatos a vereador. E a cada promessa dos candidatos,  a cada abraço no candidato a prefeito da coligação e eternas juras de amor, sentia uma agulhada nos escrotos, e o suor frio causado pela ânsia abundava-lhe o rosto.

Finalmente, chegou a sua vez. Era sempre um dos últimos antes do prefeito. " É chegada a hora de dar aos eleitores o que eles tanto pedem",  pensou. Firmemente segurou o microfone e deixou falar o coração.

_ Isto é uma farsa ! Aqui ninguém está com ninguém, é cada um por si e o improvável por todos. Vejo gente que está pedindo voto para o prefeito aqui em cima e agora, porém não tem o mesmo ímpeto quando anda de casa em casa. Na verdade são uns vendidos para oposição, uns merdas que fazem parte de uns 'partididinhos' de meia pataca, cujos votos não enchem uma urna...

Diante da plateia estupefata continuou:
_ Mas é bem feito. O nosso candidato a prefeito, que está aqui ao meu lado, me ameaçando em voz baixa, não presta. Um fanfarrão, um enganador que só prestigia os candidatos do seu partido e o resto é que se dane. Cadê a gasolina e o dinheiro que o senhor prometeu pra gente entrar na coligação, candidato ? Responda ! Seja sincero uma vez na vida ! Cadê o dinheiro que o senhor me confidenciou ter recebido dos empreiteiros  ?

Daí foi um rebuliço total, com o animador o segurando por trás, tentando tomar-lhe o microfone das mãos, enquanto o candidato a prefeito, desferia-lhe um soco no rosto, quebrando seus óculos de caros graus em várias partes.

_ Tão vendo, tão vendo ? Este é o homem bonzinho que não gosta da verdade, mas eu sou a verdade...Foram suas ultimas palavras logo depois que foi jogado de cima do palanque e antes de receber uma bandeirada  na nuca, desferida por um outrora eufórico eleitor que tinha saído de casa levando o papai, a mamãe, os filhos e os vizinhos para ouvirem as propostas dos candidatos da coligação.

Acordou no dia seguinte à votação. Tinha a consciência limpa, mas cabeça dolorida de tanta porrada recebida enquanto estava desmaiado.

- "A eleição !"  pensou rápido.

Com algum esforço conseguiu sintonizar um aparelhinho furreca de televisão que tinha no quarto do hospital.,  num telejornal local que era exibido ao meio-dia.

Sua alegria inicial começou a diminuir quando viu o resultado para prefeito. O seu agressor tinha conseguido 99 % dos votos válidos. Na entrevista, com ar vitorioso, o agressor declarou ter "vencido a melhor proposta e o candidato do bem, do amor, do respeito à democracia e ao próximo, daquele que não revidou aos ataques recebidos, Deus e a população foram testemunhas..."

Mais jururu  ficou, quando viu que o seu nome não estava entre os eleitos para o cargo de vereador. E da relação nominal, percebeu que em sua maioria tratava-se dos piores candidatos : os que descaradamente compravam votos, os que mantinham sociais relações suspeitas, os defenestradores da honra alheia, os aproveitadores da massa miserável. Como antigo parceiro, conhecia quem era quem nos bastidores.

Após a alta hospitalar, teve acesso à lista completa do TRE sobre a votação dos candidatos a vereador. Descobriu que obtivera exatamente 1 % dos votos válidos, ficando lá com a 'rabagésima' colocação ...

Daquele dia em diante carregou consigo umas verdades:
_ Os eleitores não sabem responder a uma pesquisa;
_ Os meios de comunicação que fazem as pesquisas não sabem perguntar aos eleitores;
_ E ele, como leitor, tem que ficar mais atento às pesquisas de opinião pública e aos comerciais que dizem que pimenta malagueta é um ótimo remédio para hemorroida. Nas entrelinhas, em letras miúdas, está escrito que o que é bom para hemorroida, é veneno para o portador;
_ E finalmente, se convenceu ser um péssimo decifrador de sonhos e de números.




   

domingo, 30 de setembro de 2012

COLUNA GRÁTIS DE DOMINGO,POR ENQUANTO...

Já ganhou ! *¹
Recebo-e-mail de um assessor de Vagner Sales sobre a última postagem. Segundo ele, aqueles 11 mil  revoltados que não votaram na eleição de 2008 são da zona rural e todos querem deixar "o homi trabaiá".

Pelos números 
que a coluna teve acesso....

E fim de papo
Esta eleição para prefeito vai servir para provar que evangélico não vota em evangélico, assim como católico não vota em católico. E o pessoal do cão não vota em nenhum, nem em si.

Enquanto isso 
no facebook é #43 disparado. Nos rincões e grotões só o diabo sabe, já que Deus, diferente do que afirmam aqueles que querem forçar a barra, 'tá nem aí' para essa tola disputa humana. 

E por falar no capiroto
o advogado dele vai entrar com uma ação contra  preconceito velado, já que tem uma música de um certo candidato a prefeito no Juruá  que diz que todo mundo tá do seu lado, mas não fala no seu nome. "Por que só não eu ?"  vai alegar. O cão quer ser gente, gente.

Mitos
Nem todo jovem é 43, nem todo velhote é 15, nem todo intelectual quer mudança, nem todo néscio quer permanencer na mesmice, nem todo militante quer emprego, nem todo os que balançam a bandeira vota no número que nela está escrito...assim como nem todo são-paulino é ....Ganso e vice-versa.

Leite derramado
Um integrante do PSDB local, dias destes, estava todo choromingoso *², dizendo que o partido perdeu uma grande chance de eleger um prefeito, aproveitando os votos daqueles que não votam no PT de jeito nenhum, como também daquela multidão que tem ojeriza à empáfia do atual prefeito.

Vá pra cama
chorar que é lugar gostoso, meu caro. Partido nanico, sem expressão e faltando escroto é assim mesmo: troca o desafio por cômodos carguinhos sem futuro.

Título dos sonhos
da postagem de um blogueiro lol aqui da região do Juruá no dia 08/10/12: "Ei, Cel., o caminho mais curto é pelo Porto do Buraco !"

Cadê a baixaria ?
No programa eleitoral o pessoal do 15, passa o tempo todo acusando o outro lado de fazer 'baixaria'. Como no programa do 43 não vi esse fenômeno, fui aos comícios.

E cadê ?
Não vi nenhuma baixaria. Só críticas pontuais sobre a administração. Crítica não é baixaria. Sou do tempo em que um candidato chegava ao ponto de acusar o próprio parente e que iria tirar do sangue da veia a parte que os uniam. Já esqueceram ? Eu não. Era o famoso 'Boca Santa'.

Ladrão, safado, filho de uma puta
eram os adjetivos preferidos por aquele povo de outrora. Agora é paz e amor, amigo justo e verdadeiro. O tempo amolece o coração do dragão, sir ?

Vamos cuidar de nosso patrimônio histórico.
Não vi até agora nenhum dos dois candidatos tocando no assunto. O que temos hoje de bom ( e de ruim também) devemos em parte àqueles que nos antecederam e por aqui criaram o mínimo de civilidade. Respeitar nossa memória é preciso e não impede de vivermos o presente e sonhar com o futuro. Tenho Dito !

Família dividida
Irlândio é Vagner ? Ilderlei agora é Henrique.

Música infantil que a molecada tá cantando nas esquinas do Juruá
"Quero notinhas de reais,ais,ais pra comprar farinha, nha,nha para fazer farofa,fa,fa... No embalo,lo,lo vou levar, var,var umas fotinhas para as criancinhas assustar. Miau Canaranas !"

Cinco minutos
Foi o que levei para escrevinhar até aqui. Vocês acreditam que tem gente que ganha, e muito bem, para fazer isto , coluna política ?

E eu
Zé Mané, não ganho um centavo, mas tenho o prazer de mostrar aqui a farsa que é ser colunista político ( se não todos, a maioria) : é só escrever o que pensa ( ou inventar o que os outros diseram, lhe escreveram, etc), o que desejam os patrões e aguardar que o maior número de gente acredite. E sim , claro, não esquecer de conferir a polpuda conta bancária pra ver se aquele prefeito do interior já honrou com o compromisso.

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* ¹. É potoca. Jamais alguém da assessoria do prefeito mandaria um e-mail para mim. Sou politicamente inviável
*². A palavra não existe. Partido nanico, quase.  




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

E A HISTÓRIA AGONIZA NA 28 DE SETEMBRO NESTE 28 DE SETEMBRO

Adicionar legenda


Enquanto desço a famosa ladeira da avenida 28 de setembro, que permite a visão frontal da catedral Nossa Senhora da Glória, meus tolos olhos se aguçaram para a imagem que trago em tela.

É uma velha casa, possivelmente a mais antiga construção da cidade ainda em pé nos tempos de agora.

Já confessei por aqui da minha bobeia em ouvir as velhas construções. Devia me preocupar, se quisesse ser gente, de coisas mais importantes, que me permitisse, inclusive,  ganhar dinheiro.

Muita gente se escabelando pensando no desenvolvimento da cidade e do seu povo. Devia seguir-lhes no exemplo.

Mas não ! E eu, jegue das orelhas enormes, vivo a ouvir os fantasmas mesmo não acreditando na existência deles.

E um  foi que exclamou " _ Não está vendo o ocorre ante teus humanos olhos ? O tempo muda e a história agoniza, agora nos tamparam a visão panorâmica, logo nós que assistimos à pequena vila florescer, aqui do Alto da Glória !"

Procurei-o na janela da velha casa que fica no Morro da Glória. Não vi nada além de novos tijolos, que intrusos, destoam da cor cinza do carcomido reboco da antiga fachada.

Passei horas a contemplar a casa. Algumas pessoas passavam de carro e moto, descendo e subindo a avenida. Alguns devem ter se perturbado com minha estagnação, a falar com os olhos, pois vez ou outra buzinavam _ ainda mato uns amigos de vergonha... Mas a maioria ignorou-me, como ignora com certeza a existência da velha casa do Morro da Glória da avenida 28 de setembro, logradouro que todo mundo enxerga quando está na  octogonal catedral da cidade.

Em frente a catedral, marco turístico, está armado um palanque para as autoridades 'militares, civis e eclesiásticas', como gostar de dizer o narrador oficial, assistirem aos desfiles dos militares, alunos e instituições sociais.

Hoje é 28 de setembro e estou na 28 de setembro. A cidade completa nesta data 108 anos.

Há 08 anos quando do centenário, o governo homenageou a cidade com uma estátua do fundador que segurava uma bandeira do Acre, obstante tal unidade federativa ainda nem existir no ato de Taumaturgo de Azevedo. Como o busto estava atrapalhando a visão de homens de negócio, o atual prefeito do bem, com toda sua sabedoria de coronel de barranca, mandou descer a marreta...bom esta história todo mundo já sabe.

E por que não, ao invés de estátua da discórdia, não revitalizar as antigas construções, principalmente aqueles casebres do Morro da Glória, na avenida 28 de Setembro ? Repito: 28 de Setembro.

Sempre digo por aqui que o prefeito atual não se preocupa com o patrimônio histórico da cidade, porque não convém. Não 'enche o bucho' e não rende votos. 

Só não entendendo até agora por que o governo estadual que presenteou o povo da capital, recuperando a fachada do comercio histórico do 2.º distrito, não teve a mesma ação por aqui. O que há de errado com os nossos fantasmas ?

Antes de descer a ladeira rumo à catedral, dou uma última olhada para a velha fachada, seus arcos em ricos detalhes e relevo, que salta o capricho de quem os construiu, uma obra única, como um quadro pintado. Foram-se as mãos e as ferramentas e restou só a obra.  No próximo 28 de setembro, na 28 de Setembro não restará nem mais a arte.Será mais uma construção moderna, sem assinatura e marca. 

Uma cidade não se faz só de pessoas, pois estas passam. Ao tempo, resiste mais as construções para contar de geração a geração os atos dos humanos ou coisa nunca escrita em velhos jornais e livros. Poucos, entretanto, ouvem o que dizem as velhas paredes.

Logo mais, naquele palanque alguém falará da história cruzeirense, mas não perceberá que bem às suas costas, no Morro  da Glória, na avenida 28 de Setembro um pedaço dela está desaparecendo neste triste  _ para eu, o à-toa aqui  _  28 de setembro.

sábado, 22 de setembro de 2012

MINHA TOSCA ANÁLISE OU O CREDO FARISEU NÃO SOU EU

Ainda ontem um interlocutor quis saber em sotaque gaúcho: " E aí Jairo, quem tu achas que leva esta ?"

Solenemente respostei : Vamos aos números amigo. E vamos falar de números concretizados, ou seja, o que de fato disse a última eleição para prefeito na nossa Cidade-Luz.

Antes: é comprovado no Acre que as eleições ocorrem de forma horizontal e não vertical, ou seja, o povo não mistura eleição para prefeito com eleição para governador, presidente. A transferência de voto é só um mito.

Descartamos, então de imediato, os números da eleição geral de 2010.

Voltemos à eleição municipal: 

O atual prefeito foi eleito com o total  aproximado de 15 mil votos (estamos arredondando) , o que equivaleu a 47% dos votos  válidos.

As outras 03 Chapas juntas atingiram o percentual de 53%.

Claro está que V.J.S, que concorre à reeleição, foi rejeitado pela maioria absoluta dos votos válidos, à época. 

Não precisa ser um gênio para inferir que a eleição majoritária é diferente da proporcional. Nesta, o eleitorado vota também  por amizade ou qualquer outra aproximação que afunila. Naquela o eleitor escolhe com certos critérios mais amplos, inclusive por questão ideológica, mesmo que uma significante minoria.

Necessário também não é ser cientista político para afirmar que um gestor para fazer mudar a ideia do eleitor que não se converteu à sua, digamos, plataforma eleitoral terá que fazer uma gestão esplêndida, coisa de fazer dilatar as pupilas.    

V.J.S fez essa gestão ? Com a palavra o povo da zona urbana onde se concentra o grosso do eleitorado e no qual ocorreu maior rejeição no pleito anterior. Dado também que neste seguimento o nível de consciência política tende a ser  mais elaborada, o que se traduz em maiores exigências.

Não é lógico  pensar que tenha  sofrido desgaste eleitoral dentro da cidade ? 

Outro fato: esta eleição municipal contará com aproximadamente 4 mil novos eleitores.

A inferição: O voto do jovem, no seu grosso, é do contra. É só procurar na lembrança pelos seus 16 aninhos....

E não esquecer que a diferença entre o V.J.S e o segundo colocado em 2008 foi de apenas 2.500 votos.
E este ano a disputa é de fato plebiscitária. Nos votos válidos, ou se é favor, ou vota-se contra. Não haverá votos de meio termo ou terceira via para ser contabilizados. Significa que seu adversário contará também com a maior parcela dos votos dos " antis". 

Portanto, claro amigo , pelo o até aqui exposto , é genuíno acreditar que Mestre Sales e todos seus pagos porta-bandeiras podem já se encaminhar ao porto mais próximo para o início de um estafante tour descendo o rio Juruá.

Mas, porém, entretanto, contudo é mister lembrar que 11 mil eleitores não compareceram às urnas naquela ocasião.

Em quem votarão aqueles onze mil "revoltados com a política" que ao primeiro sinal de chuva não põem o corpo para fora da cama em pleno domingo ?

Esse é o dado que não deixa fechar a questão.

É de supor que: I) se são na maioria eleitores da zona rural teremos mais quatro anos de Trabalho e Cidadania e o alquimista da avenida Mancio Lima e sua trupe vão festejar comendo (ou tomando) sopa de galinha na praça central. II) Se por outro lado for a maioria  urbana e da faixa etária mais jovem, usuários do facebook, o cheiro da laranja  pode invadir a última das trincheiras.

E mais um complicador : o eleitor cruzeirense é  surpreendente. Principalmente em se tratando de eleição para prefeito. É só verificar na história. Não foi uma e nem duas vezes que o candidato se julgou eleito, embalado no gostoso sono do poder e acordou dentro da velha balsa, com a bunda tocando o metal quente da embarcação.

Por isso considero muita prepotência um candidato se dizer eleito de véspera, baseado em suposições de pesquisas caseiras que sequer seguem a metodologia que solicita o rigor científico para o caso. Mesmos as pesquisas super elaboradas nada indicam além de tendência, o que não é garantia do todo real.
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Até aqui eu tentando me fiar nos frios números concretizados na última eleição municipal e já num certo empirismo proporcionado pela idade para buscar embasamento para minha fraca e tosca análise, já que reconhecidamente não entendo nada da matéria, quando o interlocutor em questão, me interrompeu e disse:

"_ Pois eu sou 15 e te afirmo com fé em Deus que esta eleição só Jesus tira da gente " 

_ Bom - retruquei - neste caso pode comemorar,  penso que o filho de Deus tem algo mais importante para fazer pelo infinito universo do que cuidar em tirar eleição de alguém aqui em Cruzeiro do Sul. Principalmente de um homem de bondoso coração...

Pela cara que fez, acho que perdi mais uma amizade. Não me fará falta se não tem senso de humor, fariseu.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

JOANINHAS NO CANGOTE ANTES DO FIM

E vamos continuar na política ? Não, na politicagem ! Depois a gente fala das flores, mas agora é guerra. Que caia a Constantinopla e chegue a Idade das Luzes **** Meu pedaço será o reino do Boulevard *** Eu tenho lado :  aquele que acho menos errado *** O que necessariamente não quer dizer que esteja certo, não é mesmo 'Nit' ?  *** Mas é decisão de caráter irrevogável. 

E como será que é ser  feio, hein meu povo ? Queria ter a sensação pelo menos por alguns segundos ...*** É chato nascer e morrer horrível  **** Por isso nunca vou ser candidato à vereador **** Sou politicamente inviável **** Pobre, feio, 'gnorante' e inviável, oh destino cruel ! *** Enforcar-me-ei com a primeira palha de cebola que eu achar plantada no concreto da ponte do Juruá*** Do que me serve tanta  decência se não posso vendê-la ?

E as canaranas este ano voltarão a cantar nas barrancas do Juruá e afluentes *** "Ouçam o que as canaranas têm a dizer", me ensinou aquele velho polaco sem religião e sem o costume do cachimbo que põe a boca torta **** O que essas canaranas do Juruá já presenciaram... **** Vou te contar têm mulheres que de tão bonitas dá vontade de a gente cheirar no suvaco delas **** Com suor e tudo !      

P.Q.P ! O V.S se esforçando para dizer que  melhorou a educação do município, aí vem o cara que escreve as legendas do programa eleitoral da televisão e tasca " havês" no lugar de "às vezes" ... **** E depois o fã escreve no facebook : "Se o H.A perder quero uma galinha pra MIM comer" **** Mas para esse servicinho aí tem o galo, pô **** Havês não tem como confiar no certo.

Macho mesmo é o cara que deixou de guardar o celular no bolso da calça e agora só usa no bolso da camisa *** Em caso de radiação ou explosão é melhor morrer de ataque cardíaco do que viver broxado **** Filosofia que ouvi no mercado do Minhocão **** E por aqui é assim: prefeito mulher faz minhocão e prefeito homem deixa o buraco de mão.

Tem candidato que agora ficou feliz : os Correios vão grevar **** Não entendeu ? **** Explico aos  néscio : é que o cara empenhado dia e noite na campanha e o sacana do carteiro... **** O cara muito ocupado com as bases, o carteiro trazendo... em pouco tempo alguém estaria levando **** Nunca fui candidato, mas já entreguei muita correspondência **** Até gato que nunca recebeu uma tijolada, passa longe da olaria.

Que fique bem claro: não todas e nem a maioria **** portanto, nada de sair por aí espancando o consorte ***E depois eu nego **** Nunca peguei ninguém, nem carreira de cachorro **** Até os bichos riam da minha fealdade **** "Foi toco, foi toco", gritava o cara que chegou ao PS **** E  até a Dilma que por aqui representava o diabo agora é de deus .... **** É muita cara de pau !

Se calem minha gente e as canaranas clamarão ****  Não, não faço concessão **** Derrubaremos a velha Constantinopla e instalaremos por aqui o Reino das Luzes **** Para quem não é da região : Canarana é um capim de talo grosso que nasce à beira do rio **** Toda eleição fica só observando os pecados cometidos pelos homens humanos **** Que "ama os irmão"

Joaninha no cangote ? escrevo assim de uma só sentada **** Deixo os dedos me levarem e traduzirem minha brainstorm **** E esse ano ? Não haverá aquela crônica sobre o Igarapé Preto ? **** Jurubeba  é sucesso até pra quem deveria me odiar **** É o lado bom de a gente ser insignificante, politicamente inviável **** por que será que ninguém ousa me subornar ? **** Serei eternamente um nada.

E agora vou-me já indo **** porque amanhã já é dia de Ipapeconha querida **** Hoje faz 365 dias que não ponho álcool na boca **** Tenho tomado direto na veia **** Se evita a careta e o bucho da cerveja **** e mantenho aquele minha barriga de tanquinho **** Tanquinho proeminente *** E o facebook é seiscentos e sessenta e seis **** Tá avisado **** E o cara moralista falando mal de quem faz propaganda política no face e posta uma foto de uma vagina com a cara do Pato Donald ? **** É cada critico ....**** Coisa de meninota ! **** Fui-me-ei !
 

sábado, 15 de setembro de 2012

HUMILDADE SALES: PECUARISTA MILIONÁRIO E ¹/². OU : O ASNO SOU EU !

" Quem se humilha será exaltado..."

Personificação retórica da humildade, Vagner Sales, é um homem vencedor. Em sua declaração à Justiça Eleitoral para o pleito de 2012, o atual prefeito informou ser milionário e meio.Veja aqui

Um patrimônio e tanto para quem _ pelo menos é o que diz no seu programa eleitoral _ chegou pobre aos 14 anos em Cruzeiro do Sul, proveniente da paupérrima Grajau, ex- seringal do Alto Juruá.

Sales não precisou seguir a estreita senda  dos estudos para vencer na vida, só concluiu o ensino fundamental. Gosta de contar aos eleitores que seu " premero emprego" foi de zelador na câmara municipal da cidade. Lá, teria aprendido muito e percebido o quanto o povo sofrido precisava de um representante naquela casa.

Pretenso candidato, foi perseguido e demitido. Foi eleito como o vereador mais votado de todos os tempos. Depois eleito deputado estadual por mais de um mandato seguidos. Não satisfeito quis ser vice-governador. Para não deixar seus irmãos das barrancas dos rios e beira de ramais desamparados, indicou sua esposa para vaga de deputado. Tudo em família, para que todos necessitados ganhassem. 

Derrotado na sua pretensão de governar o estado, foi eleito prefeito de Cruzeiro do Sul em 2008 e agora busca a reeleição para 'o trabalho continuar'. Segundo alguns especialistas políticos que vendem a mão de obra, é amplo favorito a vencer novamente o pleito e com uma " enxurrada de votos". Não posso concordar ou discordar visto que desta técnica nada entendo. Adivinho, muito menos sou.

De zelador Sales se transformou em um poderoso político. Na declaração disse que sua profissão é 'pecuarista', político não. É dono de uma fazenda de 1.000 hectares e de alguns terrenos na zona urbana de Cruzeiro do Sul. Aliás, com valores declarados bem menores do que os de mercado. Só pode está combatendo à especulação imobiliária _ recorrente por esta banda _ ,  prova de seu amor pela cidade !

Não me incomoda o fato de Vagner ser milionário e meio, quem não queria ser ? só os hipócritas !! Além disso, há gente na política acreana com bem menos serviços prestados e muito mais rico do que ele.

Só que aqueles são egoístas que não se preocupam com os mais humildes. São políticos insensíveis à causa dos pobres e vorazes  acumuladores de capital. Vagner José, ao contrário, é o quase salvador para os desvalidos do precioso metal . Por isso me intriga, mas não faço mau juízo à respeito _  não seria tão abjeto: Como fez para ficar milionário e meio se costuma dividir uma parte do pão com o próximo ?

Deixei por conta das minhas duas consciência:

" _ A custa de muito trabalho", dirá a do bem.
" _ Ué, mas o que eu conheço de gente que trabalha, trabalha e nunca ficou milionário, não está no gibi", acusará a do mal.
" _ Mas ele acorda cedo para o trabalho..." , rebaterá a do bem.
" _ E daí ? os garis acordam todo dia de madrugada e continuam pobres !" bradará a do chifre e tridente.

Quer saber ? ambas estão erradas !

Chego a conclusão que ele é milionário e meio porque ajuda aos mais necessitados. Só que, diferente dos desprovidos de inteligência espiritual, não esperou a recompensa do prometido paraíso cristão aos homens de bom  coração neste mundo de lágrimas. Lá não há $$ e aquele negócio de ter que passar pelo buraco de uma agulha é uma probabilidade a posteriori.

Sales subiu na vida porque justamente ajudou e ajuda a quem mais precisa. Àqueles que a cada dia nunca deixam de ser necessitados. É a lei do bem sendo pago com o bem, a colheita do aqui plantado. Sua Grajaú natal continua paupérrima e o seu povo desprovido da mais básica educação e saúde, mas a culpa é do políticos do mal que  que não deixam que se derrube  uma vara verde ou se queime uma seca...

Seu adversário é um professor universitário graduado, que já foi vereador e está deputado federal pela terceira vez, cujo patrimônio declarado não chega a um terço daquele declarado pelo prefeito. É a disputa do  intelectual quase meio milionário contra o quase sem instrução escolar milionário e meio. Não adiantou Henrique ter estudado. Faltou conhecer cada barranca, cada igarapé, cada pé de samaúma da floresta... por isso tem três vezes menos dinheiro do que Vagner.

Se a geração mais jovem me pedir conselhos como ficar milionário não terei dúvidas: se quiser estudar  ou ser um empreendedor vá em frente, porém o caminho mais gratificante é o de fazer o bem, ajudar aos mais necessitados, ter força para trabalhar, trabalhar, trabalhar, dia e noite, subindo e descendo as barrancas dos nossos rios,  ou fazer convencer que  umas tais 'forças ocultas ' não te deixam trabalhar.

Um carinha piedosa e voz chorosa de quatro em quatro anos, ajuda muito. Os irmãos levam uma vida dura, mas têm um coração mole. Ah, não esquecer de derrubar as varas verdes...

Só não sigam nunca _direi _ o meu caminho. Não ajudei a ninguém, por isso hoje sou um pobre e insignificante blogueiro, quase anônimo, amargo, politicamente inviável, a desconfiar da bondade alheia. Pudera, nunca tive passado e  nunca terei futuro. Faltou-me humildade. Teimoso, continuo estudando. Sou mesmo um asno que terá imensa dificuldade em passar no buraco da agulha dado o tamanho das orelhas.

Mas um asno livre, sem necessidade da comiseração alheia. Nunca deixarei de ser, também, um gauche na vida, sr. Drummond !

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

SOBRE O DEBATE II

A cidade do Trabalho e Cidadania parou para assistir ao debate entre os candidatos Vagner Sales e Henrique Afonso  transmitido ao vivo pela TV Juruá. Eu também.

Sentei-me à frente do aparelho de LED 55". Destronquei da antena de TV fechada e sintonizei na programação local. Almocei meia horas antes do início. Ouvidos atentos e olhos abertos para  a reação de cada candidato.

E começou. Vagner saiu na frente em termo de figurino, trajando blusa azul claro, meio esportiva e com o seu número de candidatura bem visível no peito. Já Henrique  usou uma camisa  com uma cor diferente do laranja de sua campanha e com um adesivo que  tornou ilegível o número para os que assistiam em casa. O melhor de tudo  foi que o púlpito escondeu a barriga proeminente de  ambos.

Incrível como Vagner se sentiu incomodado com a câmera, parecia tenso, não sorria, o tempo todo com olhar desconfiado. Coisa de quem estava na defensiva. Com razão: tinha mais possibilidade de ser vidraça do que a pedra.

Deve ser duro enfrentar um cara como o Henrique Afonso, que de tão esquisito e jururu , é daqueles raros casos de nome limpo na política. Onde bater ? 

Então caiu na esparrela de acusar o adversário de ser negligente em destinar verbas para Cruzeiro do Sul. "  22 milhões em dez anos ", atalhou Henrique, " e posso mostrar cada uma das obras feitas com elas e o você o que fez com 35 milhões de emendas que diz que recebeu ? "

Depois partiu para a questão do endereço do adversário, mostrando nervosamente uma cópia da declaração de bens na qual não constava a casa que o deputado comprara em Cruzeiro do Sul e  tascou: " Você pode ser processado pela justiça eleitoral, sabia ?"

Outra  bola fora ! Como eterno candidato a cargo político Vagner Sales tinha a obrigação de saber que os bens que devem constar no ato da inscrição da candidatura são os mesmos apresentados na declaração do impostos de renda do ano corrente. Se o cara comprou uma casa depois disto, se obrigará a declara-la no ano seguinte. 

A esta altura Vagner não conseguia disfarçar a sua síndrome da perna nervosa. "Água, água !!"  deve ter pedido ao assessor no intervalo.

E o Henrique Afonso não tirava o sorrisinho irônico do canto da boca.

No momento que entrou a questão do ramal da fazenda do prefeito, o câmera muito esperto focou em Vagner Sales. Pensei que ele ia ter um troço enquanto o Henrique dizia : "desviou o asfalto para beneficiar sua fazenda, esta é a verdade !"  

Um amigo  me ligou:  " Pô, estou decepcionado pensei que Vagner ia perder a paciência e danar a mão na cara do Henrique , aí o Nelson ia apartar e o pau cantava no estúdio, com o Chico Melo e o Neto Vitalino bolando no assoalho, enquanto o cinegrafista Dedi gritava : _ Qui'é   isso, negada ? aqui não,  lá fora, lá fora !! "

Explico : o meu amigo em questão é fã do lendário  'A Praça é Nossa'. Esquece que estamos em outros tempos, com o pessoal mais envelhecidos, mais pacientes e com algo a perder. E logo na frente do promotor   de justiça ?! Oras, também não estamos no vizinho município do Guajará/Am, onde até os mandins nadam se esporando por conta da política.

Se alguém me perguntar quem venceu o debate não me arrisco dizer. A torcida cegou meu senso crítico. Nem notei  as bobeiras do verde. Fatalmente eu puxaria o pequeno lençol para o meu lado, aliás como fiz até aqui. Os fãs da política vagneriana dirão que o mestre venceu. A massa do 43 discorda veemente. É só acompanhar a rede social facebook.

Os mais ardorosos seguidores do capitão Sales estão dizendo por aí que armaram-lhe uma arapuca. Que o cenário favoreceu ao candidato do PV. Bom, da próxima vez providencie um cenário imitando um barracão, tá certo jornalista Nelson ?

E tenho uma folha de caderno cheio de anotações sobre promessas de campanhas.

E tem muita gente já pedindo um segundo debate. Eita, que povo quer ver a lona do circo em chamas com  o macaco amarrado no mastro central !

Quem mandou inventar ? agora o pessoal viciou...

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