sexta-feira, 1 de junho de 2012

DIÁRIO DE UM CONFUSO MISÓGINO

Querido diário,


Hoje estava eu em um local realizando uma tarefa cotidiana. De onde me encontrava podia perfeitamente ouvir a vozes de umas mulheres conversando. Confesso que não sei de quem se tratava, ouvi, entretanto, quase que a contragosto, muito bem do que se tratava.

A contragosto porque não fui ali para ouvi a conversa de ninguém, fui pagar tributo à natureza.

Pois bem.

Elas estavam falando daquilo que as mulheres sempre falam quando estão juntas, e longe dos homens, embora a maioria negue veementemente que este seja o assunto preferido delas: o sexo.

Delimitando o tema: elas falavam do sexo conjugal.

"_ Bom, o lá de casa, graças a Deus nunca falhou até hoje, sempre mantemos o calendário em dia", começou uma delas.

" _ Pois o lá de casa é uma bomba, nem me lembro mais a última vez que fizemos amor que preste , pense numa coisa chata " rebateu uma segunda. ( o que seria a 'coisa chata' ? a bomba ?)

" _Maninha... mas um homenzarrão daquele...quer dizer que o Felipe é só o que chamam de paisagem inútil, é ? "

" Inútil e pequena. A pixoroca  dele dá isso aqui, ó... e isso quando tá dura " ( Taí, esse apelido eu não conhecia)

Risadagem geral. Como riso é contagioso, cá comigo , ri por dentro.

" Inda bem que do Márcio eu não posso reclamar disso aí não. Ele tem uma respeitada". Me pareceu agora a voz de uma terceira na conversa. ( a partir de que metragem passa-se a ganhar 'respeito' ?)

" Ele tem cara mesmo. Esses homens magricelos e de bunda batida...", atestou uma quarta voz feminina. ( o que a cara tem a ver com a bunda ?)

E assim continuaram o papo por mais alguns minutos. O pobre de um tal Felipe foi mais malhado do que um boneco do judas vestido de Flamengo na entrada do estádio de São Januário. Aquela que parecia sua consorte, denegriu a imagem do sem-sorte o suficiente para queimar–lhe  o filme  até a quarta reencarnação.

Alguns minutos depois parece que finalmente a reunião acabou. Ufa ! Minhas pernas já estavam dormentes de está sentado ali naquele trono.

Mas pelo que pude ouvir, restaram no local apenas duas delas.

" _Neguinha porque tu falou aquilo do coitado, esse tipo de coisa ninguém fala não ...tu sabe como é esse povo daqui."

" _Tanto sei que falei isto de propósito. Vou já mesmo falar que o meu gato é lindo, gostoso e maravilhoso para esse bando de galinhas que só vive atrás dos homens das outras... O que não falta aqui é mulher sem-vergonha. Duvido agora quem vai querer ele além de mim " ( gato e galinha jamais formariam um par, nem na mais das criativas fábulas ! Que falta de conectividade  desses seres confusos...)

" _Tu é esperta né neguinha...agora tu acha que o Márcio é tudo aquilo que ela falou ?

" _ Aí só vendo para crer. Vai lá faz um teste e depois tu me diz"

" _ E vô mermo !"

Mais risada.

Me demorei um pouco mais no lugar por receio de ser descoberto em campo inimigo. Só depois de me certificar que não restava viva alma por perto, me retirei levando comigo dois pés dormentes à beira de uma trombose e um raciocínio , quase um tirocínio, maluco:

 - O pós-mortem aclamado pai da psicanálise, Freud, não conseguiu resposta a sua mais enigmática questão _ Afinal o que querem as mulheres ? Eu também não consegui, mas invertendo a questão descobri o que NÃO querem as mulheres _ pelo menos as espertas : não entregar o ouro às bandidas , eufemismo carinhoso dado às "amigas", mesmo que o ouro seja o de tolo.

Freud não teve a oportunidade de está em um local privilegiado onde estive por uma única vez para ouvir do que as mulheres falam longe dos homens, talvez por não ser imbecil e distraído o suficiente como eu para cometer o deslize de entrar, por completo engano, em um banheiro coletivo feminino.

Até aquele momento eu imaginava que longe dos cuecas as mulheres falavam de política, futebol e economia, assuntos que faziam questão de deixarem os homens acharem que entendiam mais do que elas, para que eles não se considerarem a um ponto abaixo da escala evolutiva humana e em desespero não enforcarem-se usando palha de cebola como corda.

Confesso-me que fiquei um abestalhado totalmente decepcionado por um bom tempo, até que me passou pela cabeça que propositalmente possam elas excepcionalmente naquele momento terem mudado de assunto por desconfiarem daquele único box fechado e completamente em silêncio em plena hora de debate.

A gente quase entende o querem as mulheres, basta para isso só mudar de concepção a respeito delas a cada instante quando pensa-se que está finalmente entendendo. Simples assim...

terça-feira, 29 de maio de 2012

CRONUS

Por esse fim de semana, continuando a leitura do livro " Trabalhadores da Floresta do Alto Juruá" do professor Enock da Silva Pessoa.

Interessante é que adquiri o livro ainda em 2008 e até a presente data ainda não terminei de lê-lo, não obstante suas 330 páginas.

É que sempre me detenho a detalhes que a alguns passam desapercebidos e acabo se embrenhando nos emaranhados de pensamentos a partir dos detalhes, passam-se as horas e acabo esquecendo de continuar a leitura. E assim o livro vai rendendo.

Estive por agora lendo a página 247 que fala sobre o conflito geracionais e um trecho narrado na primeira na primeira pessoa segue em ipsis litteris

Os jovens que ficavam na cidade, também usavam sua criatividade como podiam. Segundo papai contou-me , quando ele era jovem, participava  com Jorge Cruz e outros amigos, de um grupo autodenominado  República dos Inocentes, provavelmente entre 1921 e 1925. Para comprovar que eram verdadeiramente inocentes  faziam algumas estripulias, tais como: 1) de madrugada, pular do barranco mais alto do Rio Juruá tomando banho,  pelados 2) ir para o sereno dos bailes sem calças, só com camisas, porém segurando uma poronga acesa ( lamparina com espelho de lata), cuja sombra impedia que os outros vissem suas partes íntimas.


Na década de 20 os jovens por aqui não eram nada comportados. A juventude sempre transgrediu e a geração mais antiga, ex-transgressores, é sempre hipócrita. E assim funcionam desde sempre as sociedades.

Fico imaginado hoje existindo  tal 'república' fazendo tais estripulias 'inocentes'. Não seriam estas algumas das mais comuns  reações de nossa moderna hipocrisia de sempre ? 

1) "É tudo culpa da televisão. No mínimo viram isto na novela das oito", diriam aqueles expert's em comunicação de massa;

2) " Onde está a segurança pública que prometeram na última campanha política ? mudança já ! " exclamaria um derrotado nas urnas que sequer tinha uma proposta decente para a segurança pública;

3) " Tirem as crianças da sala, as cenas a seguir são inadequadas " , aconselharia o apresentador do telejornal. O câmera muito profissional filmara a sequência de todos os ângulos possíveis;

4) " A culpa é dos país que criam os filhos sem um pingo de responsabilidade, só esperam pelo poder público ", esclareceria a psicóloga de um Conselho qualquer sobre a política pública para jovens e adultos

5)  " A culpa é do Estado que não tem política pública para os jovens ", acusariam os expert's de última hora, progressistas e amantes da política de inclusão social que (a)fundaram uma ONG para garantir a boa educação dos jovens de sua família, primeiro.

6) " É o fim dos tempos, o mundo está perdido, Jesus está voltando", gritaria uma senhora antiga quase contemporânea da década de 20;

7) " Estão todos drogados, e ainda tem gente que luta pela liberação da maconha, meu Deus ! " diria aquele ateu reacionário e libertário do econômico, revendedor de aguardente e cerveja,  num momento de fraqueza e franqueza;

8) " É proibido proibir " protestaria o político de mente aberta. Tão aberta a ponto de se interessar pelo tamanho da república dos rapazes;   

9)" É um movimento politiqueiro para tentar destabilizar o meu governo na prefeitura. Quero dizer que é perda de tempo. Não sou candidato a nada. Só sou candidato a terminar meu mandato. " diria aquele prefeito com mania de perseguição. Meses depois confirmaria sua pré-candidatura à reeleição.

10) " Estamos de porta abertas, podem entrar aqui não temos medo de nada ", desafiaria o presidente da câmara de vereadores caso o pessoal resolvesse passar balançando o cipó em frente à Casa do Povo.

11) " Cadê nossos deputados federais que não fazem uma emenda para comprar lanternas modernas para os jovens usarem quando forem andar sem as calças nas festas ? As lamparinas estão ultrapassadas pelo amor de Deus !"  esbravejaria o comentarista político nas ondas matutinas de rádio.

12) " Quero dizer que ontem mesmo estive em reunião com o ministro da pesca e cultura e recebi a promessa de uma emenda no valor 'x" para comprar dezenas lanternas de última geração para que nossos jovens, aí da nossa região, possam esconder em definitivo suas minhocas no escuro ", aproveitaria a deixa um deputado federal alertado pelo sonolento assessor que não desgruda o ouvido do rádio. Depois o deputado ficaria sabendo que o assunto nada tinha a ver com pesca.
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E eu com tudo isso ?

Jogaria os ombros. Esse troço da juventude é um estado de espírito ou estado de embriagues sem vinho. Depois é só ressaca, gordura localizada e um rosário de proibição na ponta da língua.

Sem transgressões o mundo perderia a graça e jamais a humanidade caminharia, nem que seja rumo à estupidez.

Sendo um admirador incurável da juventude nunca me incomodaria qualquer tipo de " mau comportamento". Os jovens precisam demonstrar todo o descontentamento contra o status quo. 

E se fosse meu filho ?

Filhinho de papai ? Jamais...never , prá dentro de casa, menino !
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