quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CÁ ENTRE NÓS

Pouco antes de ir me refugiar na Ipapeconha querida, meu Riacho do Navio do Gonzagão _  "sem rádio e sem notícias da terra civilizada, lá,lá,lá....", estive a conversar com um moço neoconvertido à tal libertação do  liberal, fã da música sertaneja  universitária , sobre a questão de viver no Acre.

Ele, ácido, desandou a desfilar impropérios sobre a terra natal e ainda me citou um blog, o qual nunca li  e nem me lembro mais o nome , onde teve acesso à informação sobre um livro que contava a verdadeira história do Brasil, com capítulo especial ao Acre, a que _  baseado na leitura da obra _  classificou como  " o filho  perdulário da nação" e blá, blá, blá...  

Eu nem retruquei. Só achei pilhéria . Também já estive na mesma idade dele. Quando mais jovem a gente costuma se impressionar com qualquer bobeia que se ler, ainda mais se for letras impertinentes. 

De volta de meu desleixo cultural depois de 'enfurnado' em Ipapeconha, resolvi escrever, mesmo que contrariado sobre o assunto.

Contrariado, porque penso ser de uma inutilidade enorme_ como se neste blog eu também falasse de coisa útil ! _ discutir sobre tamanha idiotice. Entretanto, acabei me decidindo escrevinhar sobre por alguns motivos.

O mais importante deles é que tenho certeza absoluta que nem o meu jovem amigo quanto o seu blogueiro preferido _ a mim, sumariamente ignorado _ leem este blog. Isto porque jamais me permitiria alimentar discussão sobre coisa que não a valha. Ou seja, o assunto não terá desdobramento, morre por aqui. 

E explico porquê. Um cara que dedica escrever um livro detonando o seu país ou seu estado, não o considero imbecil. É só mercenário atrás de ganhar dinheiro fácil através das letras falaciosas que ele sabe inútil. É o mentiroso consciente.

Ele sabe o quanto é mercadológico o politicamente incorreto, hodierno no Brasil, mais ainda. Então, na base do 'disse me disse', escreve sobre fantasias que historicamente não pode provar e pouco interessa a verdade. Seu objetivo é vender. Ele sabe a fórmula.

Aí vem o inteligente revolucionário e libertário que ler e reproduz como a ' verdade descoberta' ou como vingança à versão oficial, muitas vezes também fantasiosa ou ufanista.

Ou quem sabe um espertinho com uma razão meramente eleitoreira, o que se revela indecentemente mesquinha.

E por que  não gosto de falar no assunto ? É como alimentar ainda mais a patologia.  Esse pessoal tem ego sobrevivente à custa da indignação alheia. Os politicamente corretos são chatos querendo impor a moral dominante. Os incorretos, só aqueles de causa e consciência, são igualmente malas sem alças implorando para aparecerem, atrás de algo que dê sentido a vida inútil que levam.

Apesar de nascer no Acre e viver nele por opção, não me contrario com quem pensa o oposto. Vários são os motivos para não se gostar do Acre. Assim como grandes são também as razões para se gostar da terrinha.

Só não entendo como essas pessoas não consigam ser indiferentes ao Acre, como se o é com várias outras unidades federativas. Salta ou não estranho ? _ não ser indiferente  por algo que se considera tão sem importância ?

Não compreendo também é como  conseguir viver em um lugar que tanto se abomina. Deve ser uma tortura acordar todo dia , dias após dias. A conclusão que chego é que a pessoa se considera tão incapacitada que sequer tem a atitude definitiva de arrumar as cuecas e ir morar no seu lugar perfeito e competir pela vida com seu povo preferido. Assim, permanece em meio aos medíocres, porque se reconhece também como tal.

Entretanto, mantém a pose de superioridade. Da boca para fora arrota caviar, a despeito do bucho cheio de Mafurá, peixinho desvalorizado por aqui,  no Vale do Juruá.

Considero o silêncio, a página em branco, como antídoto  para curar esse povo que adora criar celeuma para atrair leitores para o blog, rede social ou livros se aproveitando da paixão de alguns. Mentalize-se que o Acre não é a santa mãe de ninguém para não poder ter seu nome avacalhado. Ninguém pode ser privado de pensar e escrever diferente, mesmo que asneiras.

Leia, escute, veja e depois tenha dó da patologia alheia.

Quando a maioria entender assim,  enterraremos com várias pás de cal os sequiosos por holofotes.

Livres do maniqueísmo, vejamos por nós mesmos, sem causa e sem pressa de chegar à verdade mesmo que não absoluta.

E eu nunca mais tocarei neste assunto por aqui.

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