quinta-feira, 17 de março de 2011

VAI TOMATE CRU !!

 
Foto: Adson Dutra
O tomate, que não é nosso de cada dia, é um alimento essencial para saúde. É rico em vitaminas, sais minerais e fibras. Além disso, possui uma substancia chamada de licopeno , capaz de efeitos oxidantes que ajudam na prevenção de doenças do coração e vários  tipos de câncer, entre eles o de próstata. 

O tomate, como se vê na foto, é produto "cult" em Cruzeiro do Sul. Nossa massa populacional  não pode fazer  uso dele durante a maior parte do ano. É o nosso caviar vegetal. Mas peço calma, toda benevolência prometida pela ingestão de licopeno pode ser adquirida também em outras frutas de cor vermelha. E a melhor notícia: Nos seus derivados industriais tais como molho, extrato, ketchup a incidência dessa substância, segundo pesquisas, é ainda mais acentuadas. Ataquemos então as prateleiras e fujamos, nós os juruanses, da tirania tomateira ! 

Só que não existe jurubeba doce e sem espinho. O tomate é só um símbolo. Um  signo do descaso em todas suas representações. Poderemos viver sem o tomate senhores e senhoras, não, porém, com a azia que sua emblemática figura representa nesta foto, no nosso imaginário de escassez artificial e nossa vida severina de interiorano amazônida.

O tomate, esse ser de pele vermelha e lisa, não nos faz falta. Nem ele, nem hortaliças outras, nem frutas diversas. Falta-nos mesmo é cidadania. Falta respeito. Falta indignação. Sobra soberba e voraz apetite pelo lucro fácil. O barracão não nos abandonou ainda. Ele está lá a mostrar quem manda e quem, por bom juízo, obedece-lhes.

O problema não está na exportação, como dizem as vozes fortes dessas plagas. Sabem o tijolo, aquele produto bruto sem tecnolgia de ponta embutida ? Não vem da China. Sua  matéria  prima é o barro que, aqui na terra dos morros, teima em cair, por própria conta, em cima das fornalhas. Mil unidades custam quase cinco centenas da moeda corrente e nem tem licopeno. Não depende dos rios, nem estrada, nem aviões. 

 Alguns costumam  gabar-se que são cruzeirense porque aqui nasceram. Outros  proclamam-se "menino das barrancas do Juruá ". Outra penca não se cansa de explanar seus amores pelos telúricos  dos nauás. Que sejam ! É  um direito perene. Não serei eu o autor de tamanha reproche.

Entretanto, que me perdoem, muito mais cruzeirenses  são aqueles obrigados a conviverem com tremend acinte , independente do registro de nascimento. Uma realidade que todos conhecem, porém, ninguém toma providências, muito menos aqueles que reúnem as condições legais e constitucionais para tal .

Só o fim da promessa centenária da ligação terrestre não é suficiente. Que venham os lobos de garras e dentes maiores ainda, a travar batalha, com suas máquinas de maior reprodução e poder de ganho com menor esforço. Ganharemos tomates, mas perderemos a inocência do isolamento. Poderíamos viver em paz, se não fosse os olhos tão grandes dos velhos lobos nativos, de garras e dentes postiços. Tomate cru para eles e sem licopenos.

terça-feira, 15 de março de 2011

CONSELHO PARA NÃO TOMAR NO CANECO

Conselhos do Barão
Certa feita o saudoso ex-governador Geraldo Mesquita, perguntado por mim na redação de “O JORNAL”, editado no antigo SERDA, por qual motivo grafou a frase “a oposição não bebe água no caneco do governo”, respondeu: “meu filho, governante e jornalista só valem pelo mal que podem fazer”. E completou: “nenhum dos dois pode querer agradar todo mundo”.
Por Luis Carlos Moreira Jorge (10 de março de 2001 blog do crica_ belo carnaval www.ac24horas.com)


O jornalista responsável por essa nota escreve a coluna política mais lida do Acre. Há quem ame, há quem deteste, mas poucos dos que gostam de política no Estado não acessam o seu blog para ler a respeito do que acontece no meio. Anos de experiência acumulada através da convivência com esse mundo paralelo, cheio de obscuras ramificações , o  credenciaram para  que se diga que ele sabe do que está falando. Não vou julgar ninguém. E perguntar não ofende.

Não faço parte do grupo dos seus admiradores e tampouco tenho ojeriza pelo que escreve. Entretanto, aprendi  a desconfiar,sempre, de jornalistas que falam sobre política, mais ainda depois de ler um pouco sobre as teorias para comunicação de Theodor W. Adorno ou outros pensadores da  Social Crítica. Não que penso ser  aqueles caras os deuses das verdades absolutas. Mas em parte eles têm razão, nem que seja mínima. Deve ser porque sou quase um analfabeto.

Por outro lado, aprendi que " Deus se esconde nos detalhes" , quando se tratava das lições sobre deduções e inferições. Tenho a mania, portanto, de me prender aos detalhes. E isso às vezes me leva a divagações dúbias sem resposta alguma. Deve ser alguma espécie de síndrome ou transtorno ainda sem nome, senão de mente desocupada ou despreocupada por coisas mais importantes da vida. Tão inútil como ler o ameba do Ludwig von Mises e tentar explicar a vida de dentro de uma sala com ar refrigerado.

Mas voltando à frase, o detalhe  destacado, por mim, em vermelho me leva às seguintes questões: Se os jornalistas só valem pelo mal que fazem, onde ficam aqueles que só fazem o bem ?  O próprio colunista , por exemplo, é só apologias ao prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales. Eu, pelo menos depois que passei a ser leitor da coluna, não notei ainda uma crítica sobre a administração do mestre Sales. Ela não pode ser tão perfeita. Aliás, me perguntaram por que chamo Sales de " Midas Político" do Juruá. A resposta está nas notinhas que leio a respeito dele no espaço editado pelo experiente jornalista. Ali os  aliados  políticos do prefeito, antes meros desconhecidos, costumam virar ouro pelo simples toque das mãos. Acabei acreditando. Sou um letrado pela metade.

 Concluo então que ele não tem valor algum para o Vagner, já que não o faz mal ? Ou é de supor  que o escriba não levou a sério o conselho do velho político ?  Posso chegar a tal conclusão, a julgar pelos outros tantos de políticos que têm suas manobras, ou tentativas delas, expostas ou desvendadas pelo Luis Carlos ? E uma pergunta me leva a outra: Por que fazer mal a uns e a bem a outros ? " Não poder querer agradar todo mundo"  é o mesmo que ser imparcial ? 


A coluna pode ser acessada pelo portal ac24horas.com. Esse portal, sim , parece ter adotado o conselho do velho Barão.Só que pelo lado inverso. A primeira vista não consegue agradar a todos. Ora morde, ora assopra. Ele (o jornalismo do  portal) faz mal quando morde ou quando assopra ? E faz mal a quem mesmo ? Por que, repentinamente, muda de humor ? Será a imparcialidade ? No fim acaba agradando a todos Não sei o porquê.  Será  mais uma história que o povo conta ?


Depois de passar horas divagando sobre o que realmente queria dizer esse conselho, eu , tonto, estava já acreditando que a tal "imparcialidade" é o que difere os jornalistas bem sucedidos do restante da classe. Mas aí me veio de que esse conselho foi dado, segundo Luis Carlos, por um político. Obstante eu acreditar que já existiu ou ainda exista político sério,  nunca é de bom alvitre seguir conselho de um político. Ainda mais se ele for dito a um jornalista . Voltei a estaca zero. Deixo para quem ler a frase que chegue a sua própria conclusão. Acho que isso também é ser imparcial.


Só mais uma coisa : Se a oposição não bebia no caneco do governo, quem tomava no caneco ? E tem gente que diz que o povo só sofre agora...
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