sábado, 24 de março de 2012

AINDA TENTANDO DECIFRAR MEU PESADELO OU MEU DÉJÀ VU

Ontem tive um- estava num - sonho.

Vi Zé precisar de socorros. Homens de branco o atenderam.

E Maria carecia de medicamentos para curar até a dor da alma.

De repente virou pesadelo.

Vi homens de traje social e pastas executivas de caro couro, reunidos.

Depois viraram ratos e falavam. Mas ratos não falam a língua dos homens...

Pensei:  não são ratos, são demônios !

No meu celular de última geração chega uma mensagem : " Diabo não há ! É o que digo se for...existe é homem humano " .

Olho aqueles metamorfos bem-trajados. Será ?

Um deles diz: "_São vinte por cento"

O outro:  "_ É a ética do mercado"

Um mulher ri, desavergonhadamente.

Quem me mandou a mensagem tem razão. Quem é do além não pensa em auferir lucros. Isso é coisa de seres finitos que após 24 horas sem espírito ficam putrefatos, a despeito do caros perfumes que possam pagar.

"- É a ética do mercado " .

O que era branco-pureza virou carmim-nefando.

Zé morreu por esquecer de trazer dinheiro ao bolso.

Maria perdeu a vida, porque alguém  atrasou a entrega.

" - É a ética do mercado"


Então acordei e vi que era só um pesadelo, possivelmente assisti a estas cenas em algum filme sobre gangster e que ficaram guardadas em meu subconsciente.

Na vida real de um país que traz estampado em seu texto constitucional sobre a dignidade humana jamais se existiria tamanho acinte.

E a CNBB lançou sua Campanha da Fraternidade 2012 dizendo " que a saúde se difunda sobre a terra".


E dia 19 deste mês corrente a TV Senado transmitiu uma sessão especial  daquela Casa celebrando a campanha.

Assisti hoje pela manhã cedo uma reprise.

O primeiro a falar foi um homem _ que nunca deixara de ser presidente _ usando bigode, vestindo um terno escuro bem cortado.Versou  sobre um tal " momento decisivo na consciência em relação à saúde pública no país".


Ouço ele dizer isto desde que eu era criancinha pequena. Ele é eterno. Mas o diabo não há.

O que tem mesmo "_  É a ética do mercado"

Fraternidade só na pureza de quem crer, meu povo da CNBB !


sexta-feira, 23 de março de 2012

PODERIA SER ALBERTO ROBERTO E SEUS PORQUÊS.






Estamos cada vez mais órfãos de ídolos.

Corrigindo. Ídolos não, gente que tem um pouquinho de algo mais.

Digo isto porque nunca tive, não tenho e nunca terei ídolos. Jamais seguiria um humano por mais brilhante que seja.

Eu sequer consigo seguir um deus que se encontra preso às idiossincrasias dos homens.

Mas deixemos a discussão sobre deuses para outra postagem.

Falemos de gente que falha. Confesso que não há como não entristecer-me com  a partida deste mundo real, de uma figura como o cearense Chico Anysio.

Este foi gênio no que fazia.

Se Chico fosse europeu ou norte-americano teria lugar cativo ao lado de Chaplin, somente isto.

Nascer brasileiro neste mundo dividido em hemisférios é uma carga e tanto . Que o diga  Drummond.

E o mundo e nossas vidas ?

Não ficaram piores ou melhores. "As noites passarão do mesmo jeito e as estrelas ficarão no mesmo lugar", já berrava aquele roqueiro nacional. 

Saudades ? do seu trabalho eu já estava há tempos, desde que a nova direção da Globo o afastou da telinha. Foi mais um a ser ultrapassado pela necessidade de se vender mais em detrimento da qualidade.

E da falência física, ninguém dela escapa. 

Uma pena. Não sou humorísta. A natureza não me presenteou-me com tamanha dádiva. 

Não posso dizer que me espelhei em algo que o grande Chico ensinou. 

E o que tinha então de especial ? É  que amo pessoa que consegue ri de si . Estão a um passo das outras autossuficientes de eficiência.

Dos seus mais de duas centenas de personagens se eu pudesse me fazer um para viver seria o espinhoso e absoluto 'Alberto Roberto' e seus infindáveis " porquês".

E mandaria todos os ' Da Júlia' da vida , controladores de nossos atos, à merda.

Nestas paragens terrenas Chico foi show e basta.    

terça-feira, 20 de março de 2012

VÃO-SE OS DEDOS TORTOS E FICAM OS ANÉIS MALDITOS

Reportagem da revista eletrônica semanal (putz !) da Rede Globo , o "fantástico", exibiu matéria no último fim de semana sobre a corrupção ativa na secretaria de saúde do estado do Rio de Janeiro.

Nada de novo. Só mostrou o que todos já sabem, tem gente já broxado de saber : o serviço público em geral, o que não significa um todo, é corrupto.

Corrigindo: não é corrupto. Deixa-se corromper.

E é assim desde que Brasil é Brazil que se preze. Fomos vocacionados desde nossa fundação para tal.

Pois só. Foi  a reportagem ser exibida e pipocaram país à dentro críticas ao sistema público de saúde do tipo, " não tem mais condições, temos que privatizar também a saúde, o Estado tem que ser extinto urgente! ".

Destarte que não sou e nunca serei a favor de uma Estado paquiderme e ineficiente. O nosso Sistema Único de Saúde, exemplo  de utopia que rema contra a grande maré do " entrega tudo ao mercado e deixa o pau rolar" , tem sido em linhas gerais _ olha a generalização novamente _ um plano fracassado.

Lembremos que estamos falando de salvar vidas. Especificamente neste caso, um fracasso concorre contra mil sucessos e vence.

Seria então a privatização da saúde nos moldes americano a salvação da saúde geral ?

Vejamos o outro lado.

Ontem, o programa humorístico "CQC" da rede Bandeirantes, exibiu a seu estilo o que significa a 'eficiência' da saúde 'sem burocracia'.

Um determinado casal da classe média alta, o marido sente repentina fortes dores no peito. Desesperados saem em busca de socorro nos mais qualificados hospitais da cidade.

Talvez porque, com razões diversas, não acreditassem no sistema público.

Não conseguiram, não obstante a urgência do caso, atendimento em nenhuma das instituições privadas, pelo simples fato de terem esquecido, no desespero, o comprovante do convênio ou "cheque caução".

Pelo falta de atendimento urgente o cidadão morreu, é o que disse a família.

Reza a cartilha da humanidade que mesmo o hospital particular mediante uma situação urgente não se pode negar atendimento a quem quer que seja.

Mas os hospitais particulares perguntam primeiro sobre dinheiro, bem antes de procurar saber o que o paciente está sentindo.

Seria um caso isolado ?

O CQC provou que não através de uma câmera secreta. Não houveram exceções. Se o produtor do programa tivesse também em situação de emergência teria perdido a vida, só por falta da maior criação humana - só humana - desde a roda: o dinheiro.

Hipócrates deve está feliz.

Condenaremos então a priori o sistema privado de saúde ?

Não. Mas mostra que ele não é a solução para este país, até porque muita gente sofre de amnésia por aqui, vai que esquece os documentos de caução em casa na hora da emergência.

Melhor que deixem em paz os dois sistema.  

O mal não está nos sistemas de saúde em si, que se funcionassem através da robótica seriam perfeitos. O Mal está nas pessoas que trabalham no sistema.

No público, os funcionários praticamente são coagidos pelos empresários em ceder à corrupção. As imagens do " fantástico" mostraram isso claramente. Difícil não cair na tentação do dinheiro fácil que só a iniciativa privada por propiciar. As consequências da canalhice pactuada não importam mais.O que vale é o prazer de ser mais esperto do que o resto dos mortais.

No particular você vale o quanto pode pagar, o que menos importa é a dignidade humana, que segundo todas as teorias liberais deveria ser inerente ao Homo sapiens no ato de sua geração ou quando viesse ao mundo nu, sem bolso, quanto mais dinheiro.

Diante das duas situações o congresso prometeu reagir com criações de leis que punem severamente o empresário corruptor ou o hospital particular que se negue a salvar vidas por falta de cheque caução.

Inútil. Não adianta trocar os funcionários e os empresários. Virão outros. Vãos-se os dedos tortos e ficam os anéis malditos.  O mal não está só no sistema legal. Não está só no Estado. Está nas pessoas. Falta-nos mesmo, como nação, a boa moral.

Em uma cena da filmagem sobre  corrupção ativa na secretaria de saúde do RJ, reexibida ontem no Jornal da Globo, um empresário disse candidamente, mais ou menos isto: " ensino isso aos meus filhos : protejam o seu contratante"

Talvez se a vozinha dele tivesse mandado-o escovar a boca com sabão quando, ainda moleque, disse o primeiro palavrão dentro de casa...

Talvez se tivesse pego um puxão de orelha quando apareceu em casa com a primeira moedinha fácil "que achou por aí..."

Talvez se tivesse aprendido que tão maravilhoso quanto ganhar dinheiro, é salvar a vida do semelhante...

Talvez, somente talvez, os sistemas seriam realmente os culpados.


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segunda-feira, 19 de março de 2012

" DÁ PRA FAZER ", QUÁQUÁQUÁ !!!!

A piada pronta da semana:


O Zé Alagão paulistano não mentiu, só esqueceu de dizer a verdade.

Que bom que ele e sua trupe, que governa a cidade de São Paulo e o estado mais rico da federação por vários mandatos consecutivos, têm exemplos concretos de 'planejamento' contras as enchentes de cada chuva, para o Brasil e o Acre.

Serra jamais poderá ser comparado a um macaco, já que é tucano, portanto, 'preparado'. Mais uma mente iluminada para nos tirar do atraso secular.

Mas até as mentes "mais lúcidas" sucumbem perante a ganância do poder pelo poder. A politicagem é o ópio desse povo.

Permita-me Deus que não morra antes de ver o Acre governado por esses salvadores que através de um 'planejamento' conseguirão controlar o ímpeto dos rios amazônidas. 

São Pedro estará na primeira reunião do orçamento participativo. Depois esquecerão dele, pois trata-se de um chato de 'botas 7 léguas' que não rende votos.

Sabem os sabiás do bico grande que por aqui gorjeiam ? Também gorjeiam por lá pelas bandas da avenida Paulista, mas continuam cagando fora do ninho. 

Nosso futuro promissor é uma piada pronta. Daremos um salto _  nem que seja  da frigideira ao fogo azulado.

Um dia a vitória chega, senhores das soluções , estarei a exercitar meu senso de bom humor, quáquáquá...

domingo, 18 de março de 2012

JÁ QUE NÃO BEBO MAIS...




Hoje me parece um domingo diferente.

Não porque seja carnaval, nem São João, nem balão no céu , nem luar do meu sertão como dizia, mais ou menos, aquela versão brasileira de um sucesso estrangeiro qualquer.

É que hoje tem Náuas, jogando no Arena do Juruá.

E daí ? 

Nada. É que não consigo ficar indiferente.

Não conseguiria convidar ninguém a ir ao estádio hoje à tarde. Faltaria-me argumento para tal. É um evento que não representa nada na vida das pessoas.

Não há show de bola no campeonato acreano de futebol profissional. Nosso futebol perdeu a magia dos tempos de amador e nem conseguimos a eficiência tática e física do futebol rico de hoje.

Estamos patinando no meio do caminho.

Acharia, portanto, fácil, muito fácil, mil e uma coisas mais importantes para as pessoas fazerem neste domingo do que irem ao jogo.

Entretanto, concretamente, não imagino uma que as impeça de irem.

Por aqui ainda podemos dizer jogo de futebol aos domingos à tarde é "um programa de família". Nossos estádio ainda não se tornaram campos de batalha para marginais travestidos de torcedores, fenômeno típico do futebol profissional de países sem lei _ ou sem o cumprimento dela _  decente.

Eu vou. Não atrás do espetáculo a ser propiciado pelos jogadores. Não temos este privilégio.

Vou  atrás de outro tipo de espetáculo que envolve um jogo de futebol  e que me fica na retina: a bola branca correndo macia sobre o verde gramado, a profusão das cores dos uniformes, a passionalidade ingênua dos que estão nas arquibancadas, a imagem do sol se pondo no horizonte e dourando a paisagem...

Vou rever amigos que pensam igual, parecido ou totalmente inverso ao que vejo.

Já disseram que o gol é só um detalhe do jogo, o que acho um absurdo já que é a única meta da partida. Penso que a partida ainda é o principal, mas são os detalhes que me aguçam e me mostram qualquer outra coisa que não seja o jogo em si.

Ao final  estarei tão vazio de espírito como estava no começo. Tenho a consciência que poderia ter  dedicado aqueles  90 minutos para coisa melhor para mim e meus semelhantes. 

Foram mais um hora e meia de inutilidade. Me atrasei mais uma vez na corrida contra aqueles que se preocuparam em fazer coisas importantes naquele momento.

O troço é quem só se preocupa com coisas importantes acaba ficando importante demais, morre do mesmo jeito e não curte o que há de bom nas inutilidades da vida.

Ao palco onde o tapete da realeza é verde, aí vou eu.
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* A foto é do blog do professor Franciney, que também está nela.
**  O menos feio sou eu, aos outros dois só resta ser os mais bonitos.

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