segunda-feira, 6 de junho de 2011

E O OUTRO LADO DA PONTE ? SÓ NO CARNAVAL.




Eis que a ponte foi liberada. Muita festa, muito foguetórios, muitas falas oficiais, muitos superlativos e ufanismo. Tudo Brasil. Descontado o exagero , eis também mais uma cena a ficar gravada em minhas retinas, que ainda não estão assim tão fadigadas pelo tempo como as do poeta: O povo atravessando a ponte, em uma procissão muda, sem vela e nem santo. O povo atravessando aquele ponte sem controle, sem ensaios, sem mandos, sem ordens. De forma espontânea, antes do último discurso, a população apossou-se da travessia, dela de fato e direito, e foi-se realizar seus desejos.

Isso tudo já foi mostrado pela imprensa e vai ficar para a posterioridade. Porém , uma coisa até agora ninguém ousou apresentar:  O outro lado da lata. Ninguém ousou falar que em toda guerra travada e vencida tem, além dos vencedores, também os perdedores. Oras bolas ! Dialéticamente, o que seria dos positivistas se não não existissem os negativistas ?

Pensando nisso um jornalista da cidade, conhecido pela sua verve crítica e perspicaz inteligência, foi visto _ por outro jornalista, este amigo meu e que me confidenciou o ineditismo _ arguindo um representante do Bombeiro Militar, se a entrega antecipada da obra não resultaria em uma súbita e frenética onda de suicídio na cidade, já que antes os desesperados não tinham um local apropriado para acabar com a própria vida. Isto é buscar ver o outro lado, charfurdar desgraça onde todo mundo só via alegria.

O bombeiro, homem forjado para todos perigos das urbes, teria respondido ao arguto que " isto só dependeria da consciência de cada um ".  Perfeita observação , afinal quem consegue  se matar estando inconsciente não é mesmo ?

 Mas não ria ainda. Nunca deve-se duvidar do inusitado em se tratando de Cruzeiro do Sul. Ontem de madrugada , a polícia teve que ser urgentemente acionada para se dirigir à ponte e evitar que um grupo de velhas senhoras feias cometessem uma espécie de suicídio coletivo. Isto mesmo, um grupo de mulheres mal vestidas, de perucas, que não sabiam andar de salto alto, não depiladas, de pernas cabeludas _ algumas não tiraram nem o bigode _  queriam pular de cima da ponte. Nesta época, com o rio Juruá seco, seria morte certa.

A muito custo o comandante da diligência conseguiu convencer aquelas estranhas senhoras a não fazer tal loucura . Segundo a líder do grupo, uma barrigudinha que vestia um modelito azul  combinando com seus enormes brinco de argolas,  estavam só cumprindo uma promessa e não queriam voltar atrás na palavra dada. Entretanto, o oficial conseguiu convênce-las de que se quisessem pular, que fizessem isso no carnaval da cidade, assim ninguém diria que não cumpriram a promessa. Muito convincente, o policial ainda sugeriu o nome do bloco carnavalesco :  " As Incrédulas da Ponte ". Além do mais, completou o oficial, o  período adequado de usar saias e vestidos, ficar rídiculo, sem deixar de ser normal , este é o carnaval.

Dizem até que os policiais notaram algumas semelhanças físicas entre aquelas senhoras feiosas  e alguns marmanjos " de família" desta cidade. Seriam aquelas irmãs destes ? Para o azar de muitos fofoqueiros, em nome do sigilo profissional, a polícia preferiu não comentar o fato. Os mais curiosos que  aguardem até o carnaval.

Os  antenados, a esta altura, devem está questionando : Mas peraí ! Por que este ocorrido não foi noticiado ? Por que ninguém leu, ouviu ou assistiu a algo sobre a pitoresca cena ? Simples. Por dois motivos : Primeiro, o fato nunca existiu pois essas figuras, em sua maioria velhas raposas polítiqueiras, nunca cumprem com suas promessas. Segundo, se chegasse a ocorrer jamais seria noticiado, pois à história oficial não passam  os perdedores, o que  fizeram ou deixaram de fazer, talvez  o que não deixaram fazer. Pelo menos é o que dizia aquele professor de sociologia do ensino médio.

Como sou um positivista sem remédio, aconselho sempre ver pelo lado bom : A cidade contará com um novo bloco a desfilar. Bom ao menos para aquela  parcela da população que curte o carnaval e se diverte com a versão tosca da realidade.
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