sexta-feira, 16 de setembro de 2011

PELO MENOS INCITATUS NÃO FOI UM " FELA DA GATA "

imagem da internet




Ontem pela noite, conversei com um fã de um certo prefeito de uma certa cidadela incrustada no imenso Vale do Juruá. Invariavelmente, noto que os ardorosos do maquiavélico fã-clube quando não desprovido da verdadeira visão do que é democracia e do papel de ser um verdadeiro eleitor, têm mania pela mania de grandeza do ídolo de pés de barro.

Eis um trecho que me lembro da conversa:

_ Vocês têm é inveja do prefeito. Nunca serão como ele. Nunca vão escrever o nome de vocês na história. Serão sempre uns nada.. O cara é prefeito e vocês o que são ?

_ O que caralho vem a ser "vocês" ?  Não existe " vocês". Existe EU ! Não faço parte de nenhuma orquestra. Eu não gosto da forma de se fazer política desse cidadão, aí. Somente isto. Ele não faz parte de minhas preocupações diárias.

_ Mas bem que você gostaria de ser prefeito. Confessa , Jairo. Ter poder. Ser lembrado como um dos melhores políticos da região.

_ Meu amigo e desde quando ser prefeito de um ovo é motivo de alguém entrar para história ? Prefeito, grandes merdas ! Já ouviu falar em Incitatus ?
.
_ mmmmm........

_ Foi um cavalo. E sabe o que ele foi na vida ? Um senador do Império Romano. Oras, se um cavalo pode ser senador de um dos maiores impérios que se tem conhecimento, por que um jegue não pode ser prefeito de uma pequena cidade sem jeito ? Viva Incitatus, de quem pelo menos sabia-se a potência do coice !

_ Mas ele não foi eleito, foi ?

_ Não. Mas não faz diferença na prática. Incitatus foi nomeado pelo imperador Calígula para humilhar o senado. Hoje, vários Calígulas como você continuam a nomearem cavalos através do voto com o pretexto de humilhar , um tal outro lado, o que chamam de " vocês". O resto que se dane.

Ainda bem que depois disto a conversa mudou para o futebol, assunto mais decente onde os únicos fela da gata que podem lascarem nossas vidas formam o trio de arbitragem.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

(A) ANTA (O) JORNALISTA ANTA

Um conhecido me perguntou o porquê de minha pessoa " pegar tanto no pé " de certo jornalista do site das profundas profícuas AC24HORAS. Referia-se às espirituosas matérias e manchetes que costumo reproduzir neste milionário e engajado blog.

Confesso sinceramente que não tinha notado que  _ pelo menos na maioria delas _ as matérias estavam assinadas pela mesma pessoa. 

Não dou a mínima para a pessoa. Me interessa o jornalismo falacioso e tendencioso praticado sob a manta de uma tal " liberdade de imprensa em um estado que tem os meios de comunicação apeados ao poder ". Quanta originalidade ! Quanto heroísmo ! 

Pode ser também culpa do meu desleixo em não me prender em detalhes. É uma falta grave. O mundo não perdoa. Vejam que só ontem fui perceber que a atual miss universo é negra. No dia, eu só tinha notado que ela  é uma angolana e falava português de "poritugale"

Como não sou racialista e muito menos racista, não percebi o detalhe da cor da pele. Só vi que era mulher. Na verdade eu teria coragem em qualquer uma dali e sem precisar beber. Tanto faz chocolate ou baunilha !

Mas voltando ao assunto do meu conhecido : Não tinha realmente percebido o nome de quem redigiu as matérias. Só agora vi que trata-se de um nome (ou nickname)  que não indica o gênero.Como não sei quem é pessoalmente, não sei se é homem ou mulher. Se é Mundão ou Mundica.

Não me interessa se é A ou O jornalista, apenas me prendo ao jornalismo e mais nada. Para a pessoa, rogo  felicidades, que serve tanto para homem como para mulher.

Entretanto, como profissional ( adjetivo uniforme ) deixa muito a desejar na qualidade, prejudicada pela pressa em falar mal para atender suas preferências politiqueiras. Por enquanto , o ou a profissional,comum de 02 gêneros, não passa de um substantivo sobrecomum : Uma bucha ! Ou seria melhor anta macho ou anta fêmea ?

E o AC24HORAS ? Bom, ele (masculino) é uma caca (feminino)...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

EU, O DIABO E MINHAS IDIOSSINCRASIAS


Caminhava pela madrugada de sexta-feira, em uma dessas ruas desertas de gente, sem asfalto e de calçadas retóricas da nossa outrora Cruzeiro do Sul. Aproximei-me  de uma dessas encruzilhadas empoeiradas da periferia. Meus pensamentos flutuavam na ideia de como são bons o silêncio, a solidão  e o vazio. Ao menos vezes ou outras tantas.

Repentinamente, como do nada surge à minha direita uma estranha presença. Eu, homem prático, moderno e materialista senti o sangue congelar nas veias, minhas pernas pesaram, minha língua adormeceu na boca cerrada. Tive a sensação de ter todos meus pelos ouriçados. 

A figura aproximou-se e me encarou. Parou depois de conseguir uma distância mínima. Dava para ouvir sua respiração, que fazia levantar levemente a poeira próxima a meus pés. Com voz baixa, disse num tom quase zombeteiro :

_ Trocas  por  demais  o " C" pelos " Ç" ,  o que pretendes com isto ?

Passado o medo inicial, comecei a observar melhor o cujo-tal. Sua figura era magra, muito magra, quase desnutrida. Os cabelos eram desengrenhados e balançavam ao sabor do vento, descobrindo o rosto chupado e curvo, de onde sobressaíam duas grossas sobrancelhas que cobriam seus olhos fundos e meio estrábicos. Os brancos dos olhos estavam arraigados de sangue, cansados, sonados, mais ainda assim profundamente inquietantes.

_ Não acredito em você _ Rompi o silêncio. És uma criação dos homens de almas mesquinhas para amedrontar outros homens de almas frágeis e aprisionar estes aos dogmas do medo. És mais uma das fábulas a encobrir o verdadeiro culpado dos males que nos afligem. Não representas uma ponta da dicotomia, a outra face da moeda. Você não é real !

Abriu um grande sorriso. Vi que não tinha presas de fera. Aliás, faltavam-lhe quase todos os dentes. Não tinha os pés de caprino e tampouco chifres. Vestia, sim, a camisa de um time de futebol popular patrocinado  por um banco também popular com o nome formado por três consoantes. E calçava chinelos- de-dedo na cor azul.

Enquanto ele, em sua canalhice, gargalhava, senti em seu bafo o azedo odor de bebida destilada e da mais vagabunda espécie. Parou de rir, fechou o semblante, cerrou os punhos e exclamou :

_ Cê é quem sabe !

Eu tirei o cinto, enrolei-o em uma das mãos. Estava a fim de ver o quanto era grosso o couro do capeta. Ele  que me ameaçava, arrependeu-se em meio a viagem, diante da minha intenção de enfrentá-lo. Retrocedeu de imediato, porém já era tarde.

O couro de boi, cozido, cortou o vento e tiniu nas costas do ser. Este soltou um grunhido e correu desesperado. Desapareceu. E não foi em meio a uma explosão e tampouco restou fumaças com cheiro de enxofre, por entre as folhas de um bananal próximo. Ele fugiu de bicicleta, daquelas  de barra circular.

Desceu uma ladeira,. parou no meio, olhou para trás e gritou : " Não tenho medo nem do diabo ! " , e sumiu na escuridão, restando  apenas o rangido de uma velha corrente, carente de "óleo de máquina". 

Creio que ele deve está contando aos amigos, do inimigo que enfrentou na madrugada de sexta. De como foi  surpreendido com uma chicotada de fogo, que fez arder o seu couro e de como heroicamente reagiu e mandou seu adversário aos quintos do inferno. Os amigos devem está dando pouca credibilidade. Ninguém acredita em um pobre diabo.

Eu segui em frente em busca da tranquilidade do meu destino. Enquanto caminhava, veio em minha lembrança a última frase de Riobaldo em Grande sertões: veredas : " O diabo não há ! É o que eu digo, se for...Existe é homem humano. "

Quem quiser, que se fie nesta capciosa fuga ao demo dos erros. A mim só resta um Deus, livre dos homens e dos  grosseiros, e demasiadamente, livros humanos. Resta-me também  o meu cinto, de couro bovino, grosso e cozido, a pôr em fuga quem ousar desafiar minhas descrenças.

Os responsáveis por meus erros sou eu mesmo e minha finita visão humana. Durmam em paz.
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