sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CRÔNICA DA MINHA FILOSOFIA BARATA: O LOBO SEMPRE VENCE NO FINAL


Ontem tive a oportunidade, diria não muito desejada, de receber a visita do dono do alheio. Ele veio na madrugada no melhor do meu sono, aproveitando a noite de chuva invernosa  _ só quando as nossas choupanas amazônicas ficam refrigeradas e deixam nossos sentidos mais dormentes _  para me aliviar de alguns bens adquirido pelo ofício. Quando despertei, repentino, do meu descanso já era sem jeito, o convidado non grata já se tinha ido. Restava apenas o latido agoniado do cachorro e o forte cheiro de enxofre deixado pela fumaça que encobria seus rastros.

Queria eu tê-lo encontrado ? Não sei ao certo. A arma artesanal deixada na fuga, apresentada na imagem acima, demonstra que ele não estava muito a fim de papo. Queria, porém, parabenizá-lo pela empreitada. Ele é sortudo porque a lei e a moral não o restringe. Ele pode quebrar o Contrato Social de Rousseau. Ele não está preso ao que restou do compêndio do Richard Baxter e da ética puritana. Aliás, minha Visita Secreta não está preso a nada. Não é preciso da dedução ou da inferição " sherloqueana" para saber que aprendeu fazer aquele tipo de arma em uma  dessas unidades de recuperação social. E que recuperação !!

Gabaria sua condição privilegiada. Ele sempre estará um passo na frente. Eu nunca saberei quando  virá novamente. Esperarei dias, meses, perdendo o sono. Ele dormirá tranquilo, me matará no cansaço da espera. Quando decidir, voltará a carga quando eu estiver novamente dormindo. E o seu lucro financeiro será grande. Cada coisa que ele levou, paguei os impostos nela's contidos. Ele conseguiu livre. Tudo é franqueado no furto.Sorte minha e burrice dele que só eram velhos cacarecos.

Enquanto cumpria minha carga horária escolar e de trabalho , me  impunham  a lei  Draconiana , a moral e a ascese Calvinista e Capitalista, ele ,coitado, era vítima de um tal de "sistema". Por isso aprendeu a manusear e fabricar armas, dilacerar a pele e espetar os órgãos internos dos corpos alheios. Seu porte de arma é garantido, a lei não o alcança. Está preparado para a batalha corporal, eis mais uma vantagem. O seu único horário é à noite. Ele está pouco preocupado se é o velho ou é o novo horário. Tanto faz ser às 03 ou às 02 da manhã . Só torce pela fina e fria chuva da madrugada. Há engenhosidade no plano.

Tenho por minha minha propriedade o direito fundamental garantido pela nossa misericordiosa Constituição Federal, desde que _ claro_ pague o IPTU. Mas o direito não é absoluto. Se sem cautela abro a porta que dá para a área de serviço onde o pobre coitado estava fazendo seu trabalho e ele revoltado me desferisse uma, duas estocadas com essa arma artesanal atingindo minha jugular ou carótida interna _   que ele aprendeu onde ficam, nas lições sobre a anatomia humana nas suas aulas de recuperação social  _   seria  eu  só mais um pai de família, no lugar errado na hora errada a atrapalhar o serviço alheio. Será que dei sorte ?

Em espírito, não necessariamente em verdade, desejaria a ele que não voltasse mais vezes. Fosse procurar outras oferendas em outras propriedades, senão a dele mesmo. Vai homem livre das propriedades alheias, enquanto eu me preocupo em reforçar as grades e contratar um cão mais feroz que não tenha medo de água para vigiar melhor minha reclusão. O desvalido, se cair, ainda tem direito ao Auxílio Reclusão. Eu pago os impostos. Os defensores dos direitos humanos pensaram e pensam nele, em mim não. Quem mesmo leva vantagem no fim ?

E no ocaso ficaria, como fiquei, com  a rústica arma dele. Pediria  que não me processasse. Diria : Sei que não foi uma troca justa. Vossa Senhoria  trabalhou pesado para fabricá-la; as coisas das quais se apossou, eu  já as recebi prontas, a minha mais- valia  não estava ali posta. Peço desculpas pelo susto. Bom furto.

Já disseram que o homem é o lobo do homem ? Pois, bem por via de dúvidas, eu não sendo o cordeiro da dupla _ me recuso a semelhante papel, trataria de dá-lhe no mínimo dois tiros, um de defesa e outro de garantia , quer ser lobo ?  Então que vá ser lá onde os raios o partam ! Fez bem em fugir antes da minha chegada,  o filhote das teorias humanistas. Da próxima vez não farei tanto barulho ( proposital  ),  para ter dar a chance de fugir, escravo do mal...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A LIÇÃO DO PROFESSOR E DO MENININHO. CHEGA DE PALHAÇADA !

A visão da oposição
Contaram-me uma vez, por aí, que em uma determinada cidade grande um caminhão, por conta da altura da sua carroceria, ficou preso em baixo de um viaduto, congestionando o trânsito de uma avenida muito movimentada causando um transtorno enorme. Para resolver a situação da melhor maneira e da forma mais rápida, foram chamados vários especialistas.

Várias projeções foram feitas. Depois de várias conferências os especialistas decidiram arrastar o caminhão usando grandes carros e máquinas. O veículo sequer se moveu. Depois de fracassadas as tentativas. Partiram para outras formas. Uns queriam cortar o caminhão ao meio. Outros dinamitar o viaduto. Ambas as formas além de serem demoradas eram caras demais. Outras idéias mais engenhosas também surgiram, mas quando testadas na prática se mostraram inúteis.



Um garotinho assistindo a toda aquela labuta e confusão, tentou conversar com uma das pessoas envolvidas. No meio daquele caos, claro, foi sumário ignorado. Por mais de uma vez tentou argumentar e foi aconselhado a ir para casa. Só depois de vários minutos, quando todos pareciam desanimados, conseguiu ser ouvido:

  _ " Ei, porque vocês na secam os pneus ? Assim, o caminhão fica mais baixo e nem vai atingir mais o viaduto...  "  


Assistindo a um discurso do Senador Cristovão Buarque sobre o aumento do salário, há poucos dias , lembrei-me da historinha, foi inevitável. Quando todo mundo político brasileiro esperneava  e ainda espernea para defender seu ponto de vista, precisamente, sobre o novo valor  do salário mínimo, mostrando gráficos e mais dados sobre o impacto do aumento sobre as contas públicas, ou positiva ou negativa, o senador do Distrito Federal placidamente falou sobre um tal  " aumento total ". Da minha poltrona, eu quase caí,  eureca !! Eis a solução em baixo dos nossos bigodes !

E ele tal qual o garotinho está corretíssimo ! O aumento só do valor monetário do salário mínimo é a maior ilusão. Vejam na prática do dia-a-dia : semanas ou meses antes da elevação do valor, quando o governo anuncia-o , os produtos de forma gradativa, quase imperceptível aos olhos da maioria, têm os seus preços majorados, ou seja, o ganho de salário é engolido antes de chegar ao bolso do trabalhador.




E não tem essa de R$ 600,00 como quer a oposição, que consegue ser incompetente e ridícula até quando é oposição. Podem colocar o salário até para R$ 1.000,00 ou R$ 2.000,00 que de nada vai servir para o trabalhador, porque ? Por que simplesmente logo logo a majoração dos preços devoram esse aumento, sem contar com o estrangulamento do Estado com as aposentadorias.

O professor Buarque está certo. O que deve ser melhorado e aumentado é o valor que o Estado gasta com aquilo que realmente melhora a qualidade de vida das pessoas : saúde, educação, segurança, transporte, lazer, cultura,etc. Tendo isso decente e gratuito, o valor monetário do salário  seria somente para a alimentação, vestuário e outros pequenos gastos familiares.

Vejamos o exemplo do Canadá, onde chega-se a pagar  50 % do salário em impostos. Outros 50 % são para gastos exclusivos da família, já que lá o serviço público é de primeira. Aqui é retido até 27,5 %  do salário na fonte, porém, diferente do que ocorre naquele pais da América do Norte, no Brasil,  o imposto embutido nos itens básicos tais quais alimentação e vestuário é exorbitante , elevando-se os preços e portanto, detonando, imediatamente, o resto do salário. Deixasse o nosso país para jogar pesado nos impostos sobre o luxo e supérfluos, além de viciosos como bebidas e fumo. Gasta com besteira quem pode.

Isso é o conceito de " aumento total " defendido pelo professor Cristovão Buarque. Simples assim , mas que posto em prática é a solução ideal e nem precisa o Estado ficar preocupado com a questão da quebra previdenciária _ esse calo no calcanhar.  Incrível como nossos políticos e jornalistas metidos a especialistas perdem tempo com discursos vazios e politiqueiro sobre o aumento do salário, quando todo mundo sabe a solução. É só ouvir a voz do inexperiente menininho ou do experiente professor.


Sou fã da voz parlamentar de Buarque desde aquele episódio nos EUA, quando um estudante universitário americano mandou que respondesse sobre a " internacionalização da Amazônia " não como brasileiro mas como humanista. E ele começou respondendo que como brasileiro defendia que a Amazônia deveria ser somente do Brasil, mas como humanista defendia a internacionalização dela desde que os americanos , "humanista" que são, aceitasse também dividir as riquezas de sua economia com o resto do mundo. Silêncio no sepulcro....

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