sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

NÃO TE PREOCUPES, QUERIDA WHITE RIVER, TUA REDENÇÃO LOGO CHEGARÁ, TAMBÉM

Li na parte livre da imprensa do Acre que Tião Bocalon e seus anjos, andam, com extrema razão, imputando aos "políticos do PT" a desgraça social propiciada pelas  enchentes do rio Acre, fenômeno natural que vem ocorrendo nos últimos 13 anos em Rio Branco.

Ainda bem. Benquistos analistas políticos dão como certa, na sempre próxima eleição, a vitória do eterno futuro governante Bocalon à prefeitura da capital, "querida  White River" como já diz o radialista Nelson Júnior.

Tem gente que já está comemorando a libertação do povo acreano dizendo que Bocalon deixará morrer os macacos para salvar as crianças e derrubará árvores para se construir taperas para o povo humano morar dentro. Até a exportação de bananas aumentará, é a lógica da oferta e demanda: menos macacos mais bananas vão sobrar. Governo que prioriza gente faz assim. Vejam :

Ao falar de prioridades de sua administração, caso seja eleito, Bocalom, disse que “se tem uma criança doente e um macaco doente, eu sou a favor de que cuidem da criança, primeiro. Se tem uma árvore e uma família sem casa. Eu prefiro derrubar a árvore para construir a casa para a família”. (fonte:www.ac24horas.com, seção Acre, em  16/02/12)

Tião Bocalon, futuro pretérito prefeito de Rio Branco é do PSDB, partido que governa ou governou por muito tempo a cidade mais poderosa economicamente da américa latina, querida São Paulo (dear Saint Paul ?).

São Paulo não tem macacos e sobram bananas para a população, em todos os sentidos ou no sentido que você quiser dar, se for de sua natureza dar as coisas por aí. Não tem florestas, mas sobram taperas que lá ganharam o nome de favelas. E as crianças paulistas pobres continuam doentes, mesmo não se desperdiçando remédios com os macacos.

O rio que corta a cidade de São Paulo, o Tietê, já foi há tempos controlado pelo PSDB. Lá não tem inverno amazônico por isso o curso d'água perdeu suas barrancas e igapós para ganhar marginais e muros de concretos. O homem dominou a natureza. Aqui as pessoas constroem dentro das várzeas. Lá,  ao contrário, a várzea é construída  dentro das casas. 

Por isso, não entendo até hoje o jocoso e injusto apelido de "Zé Alagão", dado ao ex-prefeito José Serra, toda vez que serenava mais forte na cidade de maior PIB do Brasil.

Mas o modelo importado para a salvação de Rio Branco, pobre capital do paupérrimo estado Acre, está bem aí: outubro de 2012. Já em fevereiro de 2013, o prefeito Tião Bocalon, será chamado injustamente pela turma do PT de "Tião Alagação", a despeito de ainda, por falta de tempo, não ter dado  cabo dos macacos e das árvores. Ora bolas, o programa " abandone  um macaco e salve uma criança " nem fora ainda completamente implantado...

Um dia a redenção deste Estado chegará. Já tivemos governo do "sem ódio e sem medo", do "sopão enche bucho", do "um só coração" e  "da floresta". Estamos hoje no do "povo do Acre". Sem volta, entraremos um dia no governo "do ser humano ", poucas matas, sem macaco e muitas crianças com a barriga cheia de bananas, com um grande PIB e mais gente morando nas taperas de compensados "produzidos aqui mesmo". Enfim, existiremos para os internautas do resto brasileiro.

E as crianças continuarão doentes.

Ps: 
Por enquanto eu fico aqui na cidade do "Trabalho e Cidadania" ( Work & Citizenship ) ou simplesmente Terra do Azul (Blueland), outrora Cruzeiro do Sul (sem tradução, ainda), só assistindo a tudo. Aqui não temos problemas com alagação. Aqui, até o rio só alaga se o prefeito mandar _ sem precisar passar pela aprovação combatente dos vereadores_  e se ele quiser aparecer no tal AC24HORAS distribuindo humanidade entre os desabrigados. E temos ainda muitas árvores com macacos pulando alegremente nos galhos, muitos meninos de barriga cheia de jacuba, uma mistura da melhor farinha (fabricada aqui mesmo) e a banana mais barata do Brasil, quebrando-lhes o bucho e que são tratados com gratuito remédio de matar lombrigas fabricados para dor de cabeça ou vice-versa.  Moro no paraíso ?



domingo, 12 de fevereiro de 2012

NÃO POR TI, CANGATI !

Hoje vou de mais uma anedota.

Sábado de aleluia. Nesta data, naquela época, roubar uns galinhas do vizinho era uma tradição. Uma tradição safada, travestida de inocente. Geralmente quem começava a roubar galinha no sábado de aleluia, pegava gosto pela coisa e passava a tomar posse do alheio durante o ano todo. Uns viraram até representantes da população na "casa do povo". Mas não entremos nesta inútil discussão sócio-político-ideológica.

Vamos falar de João, conhecido no bairro como "Cangati". Nenhuma alcunha é sem motivos. Tinha uma barriga saliente, pernas finas e bunda mucha. Um autêntica embiara. Era uma figura. Metido a roqueiro sem nunca ter pego em guitarra, um rebelde que se meteu a tatuar  o antigo símbolo da marca esportiva "adidas" no peito. Em suma, um roqueiro com atitude contra o sistema.

Mas Cangati era bom mesmo em furtar as penosas no sábado de aleluia. A turma que pretendesse ter sucesso na empreitada para depois comer assada, em fogueira improvisada, a prenda, em roda de cachaça em quanto se ria da façanha, tinha que contar com Cangati como capitão 

Pois naquele sábado de aleluia, João já havia escolhido a vítima que deveria "valsar" em algumas cabeças de galinha. O nome dela era Amelinha, uma idosa viúva e solitária. A velhinha era muito conhecida no bairro por ser uma exímia rezadeira.

Por certo que Cangati já arquitetara seu plano. A dona das galinhas era sua vizinha. Como bom escoteiro, durante o dia ele se prontificou a realizar uma faxina no quintal. A boa ação foi aceita pela viúva, de muito grado, " você é menino bom João, não é nada daquilo que dizem por aí ".  Astuto, conseguiu seu intento que era de conhecer cada ponto do terreno de sua futura batalha de logo mais.

Na madrugada, João adentrou o local. Garantido pelo escuridão da noite e fiado no sono profundo que dona Amelinha deveria está mergulhada, pé ante pé, ele se aproximou do seu alvo, o galinheiro.

Foi João esticar o braço para abrir a tranca da pequena construção onde estavam as gordas cacarejantes, quando uma luz intensa e cegante, repentinamente, lhe queimaram a pestana. Era dona Amelinha focando com uma potente lanterna:

_ João Cangati, então é você ...

Com outra mão, ela segurava uma velha espingarda.

Ele teve que raciocinar rápido:

_ "Shiiiiiii !!!! Silêncio dona Amelinha" , disse quase que sussurrando, " tem um ladrão aqui dentro do seu quintal e eu tô no rastro dele ....

_ Mas João, o ladrão aqui é você....


-Shiiii, fale baixo e apague essa lanterna, a senhora vai espantar ele e a senhora sabe como esses meninos corre quando tão com medo....

Apontando para algum lugar da escuridão no fundo quintal, gritou: Lá vai ele, pega ladrão ! e correu em disparada naquela direção enquanto a velhinha acionava-lhe um tiro de cartucho com pólvora , sal e pimenta-do-reino nos fundilhos.

Por esta e outras que João Cangati virou lenda no bairro.
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