sábado, 22 de setembro de 2012

MINHA TOSCA ANÁLISE OU O CREDO FARISEU NÃO SOU EU

Ainda ontem um interlocutor quis saber em sotaque gaúcho: " E aí Jairo, quem tu achas que leva esta ?"

Solenemente respostei : Vamos aos números amigo. E vamos falar de números concretizados, ou seja, o que de fato disse a última eleição para prefeito na nossa Cidade-Luz.

Antes: é comprovado no Acre que as eleições ocorrem de forma horizontal e não vertical, ou seja, o povo não mistura eleição para prefeito com eleição para governador, presidente. A transferência de voto é só um mito.

Descartamos, então de imediato, os números da eleição geral de 2010.

Voltemos à eleição municipal: 

O atual prefeito foi eleito com o total  aproximado de 15 mil votos (estamos arredondando) , o que equivaleu a 47% dos votos  válidos.

As outras 03 Chapas juntas atingiram o percentual de 53%.

Claro está que V.J.S, que concorre à reeleição, foi rejeitado pela maioria absoluta dos votos válidos, à época. 

Não precisa ser um gênio para inferir que a eleição majoritária é diferente da proporcional. Nesta, o eleitorado vota também  por amizade ou qualquer outra aproximação que afunila. Naquela o eleitor escolhe com certos critérios mais amplos, inclusive por questão ideológica, mesmo que uma significante minoria.

Necessário também não é ser cientista político para afirmar que um gestor para fazer mudar a ideia do eleitor que não se converteu à sua, digamos, plataforma eleitoral terá que fazer uma gestão esplêndida, coisa de fazer dilatar as pupilas.    

V.J.S fez essa gestão ? Com a palavra o povo da zona urbana onde se concentra o grosso do eleitorado e no qual ocorreu maior rejeição no pleito anterior. Dado também que neste seguimento o nível de consciência política tende a ser  mais elaborada, o que se traduz em maiores exigências.

Não é lógico  pensar que tenha  sofrido desgaste eleitoral dentro da cidade ? 

Outro fato: esta eleição municipal contará com aproximadamente 4 mil novos eleitores.

A inferição: O voto do jovem, no seu grosso, é do contra. É só procurar na lembrança pelos seus 16 aninhos....

E não esquecer que a diferença entre o V.J.S e o segundo colocado em 2008 foi de apenas 2.500 votos.
E este ano a disputa é de fato plebiscitária. Nos votos válidos, ou se é favor, ou vota-se contra. Não haverá votos de meio termo ou terceira via para ser contabilizados. Significa que seu adversário contará também com a maior parcela dos votos dos " antis". 

Portanto, claro amigo , pelo o até aqui exposto , é genuíno acreditar que Mestre Sales e todos seus pagos porta-bandeiras podem já se encaminhar ao porto mais próximo para o início de um estafante tour descendo o rio Juruá.

Mas, porém, entretanto, contudo é mister lembrar que 11 mil eleitores não compareceram às urnas naquela ocasião.

Em quem votarão aqueles onze mil "revoltados com a política" que ao primeiro sinal de chuva não põem o corpo para fora da cama em pleno domingo ?

Esse é o dado que não deixa fechar a questão.

É de supor que: I) se são na maioria eleitores da zona rural teremos mais quatro anos de Trabalho e Cidadania e o alquimista da avenida Mancio Lima e sua trupe vão festejar comendo (ou tomando) sopa de galinha na praça central. II) Se por outro lado for a maioria  urbana e da faixa etária mais jovem, usuários do facebook, o cheiro da laranja  pode invadir a última das trincheiras.

E mais um complicador : o eleitor cruzeirense é  surpreendente. Principalmente em se tratando de eleição para prefeito. É só verificar na história. Não foi uma e nem duas vezes que o candidato se julgou eleito, embalado no gostoso sono do poder e acordou dentro da velha balsa, com a bunda tocando o metal quente da embarcação.

Por isso considero muita prepotência um candidato se dizer eleito de véspera, baseado em suposições de pesquisas caseiras que sequer seguem a metodologia que solicita o rigor científico para o caso. Mesmos as pesquisas super elaboradas nada indicam além de tendência, o que não é garantia do todo real.
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Até aqui eu tentando me fiar nos frios números concretizados na última eleição municipal e já num certo empirismo proporcionado pela idade para buscar embasamento para minha fraca e tosca análise, já que reconhecidamente não entendo nada da matéria, quando o interlocutor em questão, me interrompeu e disse:

"_ Pois eu sou 15 e te afirmo com fé em Deus que esta eleição só Jesus tira da gente " 

_ Bom - retruquei - neste caso pode comemorar,  penso que o filho de Deus tem algo mais importante para fazer pelo infinito universo do que cuidar em tirar eleição de alguém aqui em Cruzeiro do Sul. Principalmente de um homem de bondoso coração...

Pela cara que fez, acho que perdi mais uma amizade. Não me fará falta se não tem senso de humor, fariseu.

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