sexta-feira, 28 de setembro de 2012

E A HISTÓRIA AGONIZA NA 28 DE SETEMBRO NESTE 28 DE SETEMBRO

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Enquanto desço a famosa ladeira da avenida 28 de setembro, que permite a visão frontal da catedral Nossa Senhora da Glória, meus tolos olhos se aguçaram para a imagem que trago em tela.

É uma velha casa, possivelmente a mais antiga construção da cidade ainda em pé nos tempos de agora.

Já confessei por aqui da minha bobeia em ouvir as velhas construções. Devia me preocupar, se quisesse ser gente, de coisas mais importantes, que me permitisse, inclusive,  ganhar dinheiro.

Muita gente se escabelando pensando no desenvolvimento da cidade e do seu povo. Devia seguir-lhes no exemplo.

Mas não ! E eu, jegue das orelhas enormes, vivo a ouvir os fantasmas mesmo não acreditando na existência deles.

E um  foi que exclamou " _ Não está vendo o ocorre ante teus humanos olhos ? O tempo muda e a história agoniza, agora nos tamparam a visão panorâmica, logo nós que assistimos à pequena vila florescer, aqui do Alto da Glória !"

Procurei-o na janela da velha casa que fica no Morro da Glória. Não vi nada além de novos tijolos, que intrusos, destoam da cor cinza do carcomido reboco da antiga fachada.

Passei horas a contemplar a casa. Algumas pessoas passavam de carro e moto, descendo e subindo a avenida. Alguns devem ter se perturbado com minha estagnação, a falar com os olhos, pois vez ou outra buzinavam _ ainda mato uns amigos de vergonha... Mas a maioria ignorou-me, como ignora com certeza a existência da velha casa do Morro da Glória da avenida 28 de setembro, logradouro que todo mundo enxerga quando está na  octogonal catedral da cidade.

Em frente a catedral, marco turístico, está armado um palanque para as autoridades 'militares, civis e eclesiásticas', como gostar de dizer o narrador oficial, assistirem aos desfiles dos militares, alunos e instituições sociais.

Hoje é 28 de setembro e estou na 28 de setembro. A cidade completa nesta data 108 anos.

Há 08 anos quando do centenário, o governo homenageou a cidade com uma estátua do fundador que segurava uma bandeira do Acre, obstante tal unidade federativa ainda nem existir no ato de Taumaturgo de Azevedo. Como o busto estava atrapalhando a visão de homens de negócio, o atual prefeito do bem, com toda sua sabedoria de coronel de barranca, mandou descer a marreta...bom esta história todo mundo já sabe.

E por que não, ao invés de estátua da discórdia, não revitalizar as antigas construções, principalmente aqueles casebres do Morro da Glória, na avenida 28 de Setembro ? Repito: 28 de Setembro.

Sempre digo por aqui que o prefeito atual não se preocupa com o patrimônio histórico da cidade, porque não convém. Não 'enche o bucho' e não rende votos. 

Só não entendendo até agora por que o governo estadual que presenteou o povo da capital, recuperando a fachada do comercio histórico do 2.º distrito, não teve a mesma ação por aqui. O que há de errado com os nossos fantasmas ?

Antes de descer a ladeira rumo à catedral, dou uma última olhada para a velha fachada, seus arcos em ricos detalhes e relevo, que salta o capricho de quem os construiu, uma obra única, como um quadro pintado. Foram-se as mãos e as ferramentas e restou só a obra.  No próximo 28 de setembro, na 28 de Setembro não restará nem mais a arte.Será mais uma construção moderna, sem assinatura e marca. 

Uma cidade não se faz só de pessoas, pois estas passam. Ao tempo, resiste mais as construções para contar de geração a geração os atos dos humanos ou coisa nunca escrita em velhos jornais e livros. Poucos, entretanto, ouvem o que dizem as velhas paredes.

Logo mais, naquele palanque alguém falará da história cruzeirense, mas não perceberá que bem às suas costas, no Morro  da Glória, na avenida 28 de Setembro um pedaço dela está desaparecendo neste triste  _ para eu, o à-toa aqui  _  28 de setembro.

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