domingo, 28 de outubro de 2012

MANUEL PIAU* NARRA SOBRE O VOTO VAGINAL, EU COMPLEMENTO

Atenção ! Contém teor proibido para menores de 18 anos ou para quem acha que palavrão escrito é mais feio que o pronunciado. Se você é casto(a) não continue a leitura.
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Prezado Jurubeba, a cá trago um abraço dado.

Li que sua persona anda está a ocupar-se no cotidiano de modo que tempo lhe falta para escrevinhar  uma história sobre um voto vaginal que valeu por demais pois.

Se de seu agrado for, posso assim realizar o conto. Tempo não me falta deste então já que estou a descansar do livro que estou a produzir.

Veja então que desta bebi da própria fonte : quem votou é que me contou. Não há do que duvidar. Me leia e depois diga se não compete em verdade com o que de ouvido ouvistes.

Lá pelas décadas de antes , o voto obrigatório era, portanto, como assim o é hoje. Mas lá é que não tinha essas máquinas que se digita os dígitos e a  face aparece. Era o nome escrito mesmo  no papel para os candidatos da proporcional. Para os da majoritária era marcar um "x" nos quadrilongos. Veja se não confere...

Pois quem assim me contou, sr. Jurubeba,  foi ele que a arte fez : Nelson Manga, que pelas épocas morava pela Baixa-da-Égua e hoje se enfunou na capital. E foi lá que me espichou a conversa.

Disse que já andava acabrunhado com tantas promessas não cumpridas que decidido estava não mais votar naquela ocasião. 

Naquele dia como de costume estava a dedetizar as entranhas com álcool não medicinal, não a ligar para as proibições estatizantes da tal lei da secura bebedina em tempo de escrutínio. 

Foi demovido da ideia de não comparecer pela patota patriota a lhe exortar : "Vai lá, Manga, não bobeia que com a lei ninguém brinca, cumpre tua responsabilidade, homem. Vai votar "

Ferrado tava, ferrado foi. Mas foi putializado, babando nos sapatos: " Morféticos dos infernos, vou mas não dou meu voto ! "

Lá chegando, enfrentou fila quilométrica. Prevenido, só o craniano  balançou para dizer sim ou não. Bafo não soltou que besta não era.

Suando que nem garrafa gelada em mesa, adentrou na cabine de papel. Ele fez o planejado já no caminho.

No lugar de marcar um "x" nos quadrilongos fez melhor: desenhou abaixo deles outra figura geométrica , um triângulo. Aí enfeitou o danadez com vários cílios, como se olho fosse. Ainda desenhou um risco vertical, dentro. Foi a única coisa que restou de sua aprendizagem em tempo de primário.

Para completar a troça, no linhado para escrever o nome do vereador, pensou em escrever o palavreado que soltava sem pudor quando putiado estava e sem saber o porquê : BUCETA !  

Mas em última hora, lembrado ficou da única missão educacional que seu tio materno lhe inculcou quando de conselho sobre boa educação: Gente letrado usa outras palavras para se falar das partes baixas dos humanos homens e fêmeas.

Foi que tamanho esforço fez pela lembranças escolares que conseguiu o intento. Escreveria então o científico. Bêbado e pobre era. Ignorante não.

Aí ele riscou de cima a baixo, em letras trêmulas e demoradas de mãos pesadas pelo alcoolidez...V- A-G. Na hora do I fecharam-lhe as pálpebras e ele pulou para o N e depois A. De modo que ficou assim:
V-a-g-n-a
 

Perceber depois até que percebeu, mas borrar depois de escrito não era seu perfil. Se estava assim, assim ficaria. Esforço não queria ter. Dobrou, atirou na urna de boca larga e foi-se embora já gostoso do novo gole da cana moida e destilada....

Confere com teu ouvido, prezado Jurubeba ?

Um abraço 

Do amigo Manuel Paca Concha de Andrade Piau, seu criado.

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Caro Manuel Piau* 

Do meu lado conto de forma sucinta o que relatou um amigo que na época trabalhou como escrutinador, contando os votos declarados nas cédulas.

Segundo ele, na hora que o tal voto, que você tão bem descreveu, apareceu na apuração foi um rebu e tanto. Um cabo eleitoral  queria contabilizar como de seu candidato fosse. O presidente da mesa não aceitou. O cabo eleitoral então apelou para o juiz eleitoral.

O juiz,  já cansado de tanta aporrinhação, se aproximou e viu a arte. Alisou o bigode ralo.   

Enquanto isso, o cabo eleitoral apelava:
_ Veja sêo Juiz, dotô, que o nosso povo é anafabeto não sabe escrevêr dereito, tá claro que quisi escrevê o nome do meu canidato a vereadô, mas acabô errando, coitado...
_ E como é o nome do seu candidato, meu jovem ?

Depois de ouvir, coçou novamente o bigode e disse: " _ Hum....é , assim seja. Mas vale a intenção na democracia. Contabilize aí para o tal,  presidente".

Mas antes de devolver a cédula para a mesa, com um sorriso maroto, de canto de boca, perguntou ao presidente da mesa: 

_ E para prefeito, tem algum candidato que começa com P, B, ou V, ou que seja  barbado e tenha o rosto triangular?
_ Não, senhor...
_ Então fique assim anulado o voto para prefeito !

O meu amigo, que é um gozador, acha que naquela ocasião se teria  criado uma 'jurisprudência' na justiça eleitoral :  também valem os votos 'abucetados', sejam de bêbados ou não !

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Manuel Piau * é alienígena alienado que jamais tomou chá de pau-barbado. Cientista político, fundador do partido de um homem só, agora escreve romances sem capa ou conteúdo.

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