segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SÓ MAIS UMA 'TOLEIMA', A ÚLTIMA DO ANO

Me rotulem do que quiserem, acho mesmo que estou me tornando uma rabugento arraigado, mas tem coisa pior e esdruxula do que a corrida de rua 'São Silvestre' ser realizada pela manhã ?

Crie-me assistindo à São Silvestre sendo realizada à noite, na passagem de um ano para outro, quando o vencedor praticamente cruzava a linha de chegada na 'última virada do ponteiro', motivo principal _ creio ser o único _ que a tornou mundialmente conhecida.

Era um programa de família. Lembro-me, apesar da tenra idade, de um nome, Rolando Vera, um equatoriano, baixinho, que era o capeta em forma de corredor. O cara apontava na reta de chegada e o locutor da TV, disparava: " Lá vem o pequeno equatoriano, pequenino mas com passos de gigante para vencer por mais um ano". 

Dos prédios da Paulista caía chuva de papel picotados e ecoava para coroar vitória a música-tema do filme Chariots of Fire. Era simplesmente épico.

Com esfarrapada explicação de se adequar para fazer parte do calendário oficial de uma tal federação internacional de atletismo (quem precisa do calendário daquela joça ?), depois de 65 anos de tradição ininterrupta, passou de forma bisonha a ser disputada à tarde.

Perdeu-se o encanto. Nem lembro-me mais a última vez que fiquei em frente à TV para assistir a corrida. Se caísse em meu colo uma pergunta valendo 100 milhões de Euros sobre pelo menos um nome de um vencedor da prova nos últimos 20 anos, eu continuaria o plebeu honesto que sou.

Para globo é mais vantajoso transmitir esta tolice de réveillon ao vivo, como se interessasse ao restante do Brasil saber quantas toneladas de fogos é queimada na praia de Copacabana ou na Avenida Paulista. Qual é magia de se ver bebuns hipócritas desejando 'próspero ano" a quem ele nunca viu na vida ? 

Como o que já está ruim tem a  imensa capacidade de se tornar pior, resolveram este ano que a disputa aconteceria pela manhã, para não atrapalhar a festa do tal réveillon na Paulista. Como sempre, na prática, o esporte é preterido pelo uso do álcool. Sai  os corredores e " Carruagens de fogo" para entrar os mamados atrás do volante e a macha fúnebre no feriado em comemoração a paz universal. Saem os corpos suados pela vivacidade do esforço e entram os corpos quentes pelas bebidas _ possivelmente alguns estarão frios e rígidos na manhã seguinte, para se tornarem ninguém, apenas números das estatísticas que não causam mais espantos.      

A continuar neste ritmo a corrida tende a ser disputada na madrugada do dia qualquer menos interessante do ano passado. O que minha vida perdeu por não mais assistir na virada do ano a uma corrida pedestre ? nada, absolutamente nada...aumentou com certeza minha saudade e minha insatisfação da falta de compromisso do meu país  com coisas tão pequenas que parecem nunca ter fim.    



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