quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Artificial baunilha.

Passeando pelas ruas da cidade da Cidadania e Trabalho, resolvi refrescar o calor da mecânica corpórea com um sorvete. Sentei-me à mesa de uma sorveteria, localizada na praça central. Fiz o pedido de um de baunilha.Não sei que diabos eu tenho com baunilha, nunca a vi e tenho certeza que nunca provei seu gosto natural.Por azar não tinha de baunilha. A moça me serve então um de cupuaçu.Faço de conta que é de baunilha.

Aproveito , enquanto degusto , para olhar as pessoas.Não como se vestem,mas como se comportam.Uma boa maneira de passar o tempo e exercitar minha filosofia barata.Infeliz de quem tem uma filosofia cara.O meu prazer está no barato,assim como da criança está no doce.Em nossa sociedade consumista, poucas pessoas valorizam as coisas baratas.Sou realmente de gosto raro.Mas, como estava dizendo, olho as pessoas.Na ocasião tinham poucas na rua e nada que me comprasse a atenção demasiada.

Até que do outro lado da avenida vejo duas pessoas.Na realidade dois jovens do mesmo sexo.Eu já os havia visto momento antes. Só conversavam. Agora não. Eles se beijavam e na boca.Daqueles beijos molhados de troca de salivas abundantes. Daqueles capazes de tirar o mais insistente limo da língua.Nem Tarcísio e Glória, no auge da carreira profissional fariam melhor.

De forma instantânea procurei pela reação das outras testemunhas.Uns fingiram ignorá-los, fazendo um meio sorriso e olhando-os de banda.Alguns outros, foram mais incisivos e ensaiaram uma vaia.Umas garotas mostraram-se surpresas e soltaram um " Oh , meus Deus !".Um senhor que estava à mesa próxima a minha foi bem humorado e perguntou-me: "Má, rapaize , aquilo é lobisomi cum lobisomi, é ?"

Se me perguntarem qual a minha opinião sobre a questão da homossexualidade,direi que sou neutro.É um assunto por qual não me interesso.Não sou homofóbico e nem homossexual.Agora, se me perguntarem se acho normal, dois homens se beijando na boca, assim , em plena praça pública, respondo , sem tempo de piscar, que não.Não acho normal e pronto.Creio que ainda não evolui o bastante para tal.A minha educação não chega a tanto.

E caso me questionarem se sou contra o direito de dois homens se "amassarem " na praça ? Direi que não. Uma coisa não tem a ver com a outra. É um direito que lhes assiste a constituição e tenho que respeitar. O fato de se beijarem não me agride na liberdade .Não sou falso puritano e nem veladamente depravado. O que me incomoda é o abuso e a coisa forçada.

A aceitação por parte sociedade da homossexualidade deve ser de forma natural e não doutrinada por lei ou por qualquer espécie de pressão.Vejo os abusos cometidos nas passeatas gays, país a dentro, como desnecessários.Penso que para ser gay e ter seus direitos respeitados, uma pessoa não precisa ser escandalosa e perder a compostura social.Não é enfiando uma tanguinha na regada da bunda e desfilar na Avenida Paulista que vão se fazer respeitar.A coisa deveria ser levada mais a sério.

Aqueles dois jovens não estavam se beijando de forma natural.Era para chamar atenção mesmo.A intenção era provocar.Porque não iam curtir suas intimidades em local mais privativo, na penumbra, como faz qualquer casal que se gosta ? Porque diabos aqueles estalidos de lábios naqueles decibéis ? Davam pequenos intervalos ,riam para a platéia e retornavam o ato.Ridículo e totalmente desnecessário até mesmo se fosse um casal heterossexual.

Mesmo assim, defendo o direito deles de fazê-lo, assim como das pessoas de se espantarem, com hipocrisia ou não. Quem não se escandaliza com a quebra da normalidade ? Só é inaceitável a agressão moral e física.O diferente também pode existir e coexistir pacificamente com o paradgma social.

Acho que isso deve ser o que alguns chamam de tolerância: não me se senti à vontade, não achei normal, mas , respeitei.Não os xinguei e nem me passou pela mente a idéia de esmurrá-los por serem diferente. Reprovei-os no meu silêncio. Não por que eles eram gays e sim pelo ato bisonho e do espetáculo deplorável que proporcionaram. Aquilo não era coisa para homem.Não o homem que gosta de mulher.Me refiro ao ser homem de caráter, independente da sua orientação sexual.

Antes que a cena terminasse ,ainda ouvi alguém comentar que " o tal Big Brother esse ano tá cheio de viado ". Mais uma coisa ridícula, forçada e esteriotipada que a Globo vende aos seus telespectadores.Um serviço que vai de encontro e não ao encontro da causa dos homossexuais.Como faz muito tempo que não assisto à Globo à noite,estou alheio a isso.

Esqueço a cena.Prefiro voltar ao meu sorvete de cupuaçu, com leve gosto de baunilha.Nunca vi uma baunilha.Já vi até dois homens emendando os bigodes em via pública.Vou continuar por muito tempo sem ver uma baunilha de verdade, a não ser que no próximo ano, a Globo anuncie que uma baunilha, seja a atração do seu reality show.Mas aí ela vai continuar sendo falsa e forçada, como aqueles beijos artificiais e escandalosos.

4 comentários:

  1. E OLHE Q NEM CHEGOU O CARNAVAL,IMAGINA NESSA ÉPOCA EM QUE TODOS OS "GUARDADOS" SE SOLTAM? VAI SER UMA SURUBA DOIDA.ESPERE E VERÁS.

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  2. EU TERIA CHAMADO A POLÍCIA E PRINCIPALMENTE O BOMBEIRO PARA APAGAR ESSE FOOOGO.

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  3. O direito deles termina quando começa o nosso,portanto isso é uma poluição visual.Até baunilha vira cupuaçu.

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  4. Caracas! Tu mesmo se superando, sempre. Com este texto conseguiu ser poético diante do grotesco e claro, diante do emaranhado de opiniões que o assunto sussita.Com ele traduziu também o meu sentimento.Eu mesmo não teria dito melhor!

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