quarta-feira, 2 de março de 2011

A SIMPLICIDADE ÀS VEZES VESTE BRANCO



Durante minha vida de estudante primário, secundário e como acadêmico de alguns cursos de graduação, já conheci vários professores " figuras ".  Por exemplo no ensino médio tinha um professor  que escrevia com a direita e apagava,de imediato, com a esquerda, segundo ele, para " economizar tempo e espaço". Claro que em pouco tempo foi demovido da idéia pela direção da escola, ante pressão dos alunos que não conseguiam acompanhar a velocidade do ditado maluco. É isso aí: Ele escrevia, ditava as palavras e as apagava de imediato.

Porém, só recentemente, quando fazendo jornalismo, tive a satisfação de conhecer um magister que deve ser um capítulo à parte no meu livro imaterial de memórias sobre os mestres de minha trajetória escolar. Trata-se do professor Fernando Peixoto (foto). Ele é a prova que a inteligência acadêmica nada tem a ver com o pedantismo escancarado. Seria ele um perfeito exemplar para comprovação de Michel de Montaigne na sua distinção entre sabedoria e erudição.

Com especialidade em sociedades e religiões, Fernando Peixoto, tem a capacidade de responder aos   questionamentos sobre variados assuntos. Claro, que os meandros de sua fala, consequência dos vários livros lidos e conhecimento cultural adquirido por sua andanças por vários lugares no mundo, exige do ouvinte uma atenção redobrada para não perder o "  fio da meada ". Não trata-se, porém, de  palavras embromadas e sim dos vários  caminhos do pensamento que sua mente parece vagar, quando ele em seu gesto típico, cerra os miúdos olhos no  semblante de longas datas.

Quer uma resposta instigante sobre religião ? Tire uma prosa com  mestre Fernando, o judeu não ortodoxo. Quer ter uma visão sobre a questão socialismo versus liberalismo, livre das amarras da paixão política, tão latente na maioria que discute teorias sócio-econômicas, parecendo pastores fundamentalistas discutindo a salvação das almas ? Converse com o grande Fernando. 

É daqueles professores que não se utiliza de materiais de apoio para suas explanações. Nem os tradicionais, como o quadro e o giz,  nem os mais recentes como o datashow. Mantém o domínio da classe sem alterar o tom de voz. Costumo dizer aos meus colegas que ele é o real professor de universidade. Não tem a menor preocupação em ensinar, no sentido de doutrina. Apenas discute, dá os caminhos para quem quiser, que siga com as próprias pernas ou então que fique no mesmo lugar. Faculdade não é local para acomodação de uma idéia e nem de comportamento.

Um verdadeiro aprendiz da vida, como só uma mente aberta consegue ser. Como não se aproveitar da  _ mesma que fugaz - convivência com um cidadão deste para se chegar a conclusão do quanto minha concepção de mundo é ainda tão  tacanha e minhas atitudes inócuas ? O caminho a ser percorrido ainda é longo e o único, e indefectível,  final, é descobrir  que não há respostas satisfatórias para tudo e a verdade é inatingível ! A sabedoria deve mesmo repousar na certeza da eterna mudança...

Este é o professor Fernando Pires Peixoto ao lado do seu infalível chapéu de palha repousando sobre a mesa .Ainda não é sexta feira , mas ele já está de branco. Sexta à noite ele considera como momento sagrado e então nada de aulas. Veste branco e vai curtir sua idiossincrasia. E não é da conta de ninguém. É a simplicidade da sociedade alternativa.

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