sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CHICO IN MEMORIAM



Relembrarei do Chico Duro. Não me pergunte o nome de batismo e tampouco o porquê da alcunha. Não conhecia o Chico a esse ponto. Morávamos no mesmo bairro, na mesma rua, mas não  éramos amigos, na acepção real do termo. Infinitamente, porém, longe de sermos inimigos, muito longe.

Na realidade, nossa convivência se resumia a breve comentários sobre o nosso time de coração, vez em quando, pelas esquinas de nossa pequena cidade. Nada além disso.

Entretanto, Chico não me sairá tão cedo da retina. É uma daquelas almas que marcam sua passagem por este Vale de lágrimas.

Não por ser rico, famoso, político, desbravador, democrata, apedeuta, facínora   ou qualquer coisa que o valha para ter um busto fincado em praça pública sob o auspício de " ao heroi ". Não foi ele nada disso. Foi só gente.

O que sei do Chico refere-se somente ao seu lado futebolístico. E ainda assim parcialmente. Quando por aqui cheguei, ele não jogava mais. O que sei dele resume-se a sua performance como treinador amador.

A primeira vez que fui ao Cruzeirão, fiz a convite de um amigo que convenceu-me a ver o " time do Chico jogar ".  Pelo  entre-aspas já percebe-se o que fazia muita gente ir aos jogos naquele tempo.

E depois da primeira vez, confesso que também passei a ir ao acanhado estádio da cidade para ver o time do Chico, que, vez ou outra, algum desavisado chamava de 'Udinese' 

Sem dúvida, à beira do gramado, Chico Duro era um espetáculo à parte. Com seus trejeitos, com sua forma de  manobrar o corpo e gesticular com os braços e pernas, torcendo para o atacante do seu escrete empurrar a bola para dentro ou o seu zagueiro espanar a redonda em momento de sufoco.

E ele era um treinador competente. Um mestre da estratégia. Sabia mexer nas peças do tabuleiro verde como ninguém. Conseguia grandes façanhas mesmo o time não sendo lá esse primor em qualidade.

Fazia o pequeno estádio lotar para ver o time do Chico. Quando seus comandados ficavam pelo meio do caminho,desclassificados do campeonato, o torcedor desanimava e declarava que certame 'perdera a graça'.

Pudera. Qual outro treinador interagia tanto assim com a torcida ? O cara na arquibancada dando palpites e Chico se virava e dizia : " Não sinhô ! Neste aí eu não mexo. Só se cansar..."

O mais conhecido dos corinthianos de Cruzeiro do Sul partiu para a morada eterna já faz mais de um ano. Lembro-me que recebi a notícia em uma manhã de um domingo de julho.

Mas lembremos do Chico da beirada dos campos e das tiradas legais que viravam bordão na boca do torcedores: " Passa Lajiiiim !" (em seu sotaque peculiar, pedindo ao  jogador Lázaro para avançar na jogada).

Chico era gente. Foi  o bastante em vida.

O futebol cruzeirense pode  significar nada para o globo, mas cá entre nosso mundinho esquecido, na curva de mais um rio amazônico, nas tênues  páginas do tempo sobre o "esporte beltrão" local, Chico Duro, o corinthiano, tem sua foto na galeria, não há como negar. 

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Na foto_ sem crédito do autor _  pescada da internet, Chico ( no círculo ) quando treinava o time do Náuas, agremiação que pouco tempo depois foi arriscar o caminho do profissionalismo. Foi sua última equipe.


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