sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ESCÂNDALO ! SURUBA NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL



Imagem da internet
Em uma determinada repartição pública de uma cidadezinha do interior do Acre, uma grande fila de usuários se forma no corredor. Burburinho a  decibéis.

Repentinamente, uma pausa na fala coletiva e então se ouvem, claramente, vozes masculinas, vindo de uma das salas, às portas fechadas, que formavam o grande corredor:

_ Coma, chefe ! é sua vez, o senhor agora é obrigado.

_ Calma, também não é assim não....

_ Claro que é ! Eu não comi forçado ? Agora é a vez do senhor, chefe, senão não posso te comer de novo, deixa de ser medroso.

_ Deixa eu pensar...

_ Cuide que não tenho o dia todo. Essa posição me dói os joelhos.

Enquanto o diálogo ia se desenrolando, o povo de fora fazia suas indagações. Era visível o desconforto moral. Onde já se viu ? Os funcionários hoje em dia não respeitam mais nem o horário de trabalho ! Que pouca vergonha !

E o murmuro tomou conta do corredor. As mulheres ficaram coradas de pudor. Um pastor gritou que o sangue de Jesus tinha poder e que era sinal dos tempos, que nos tornamos Sodoma, etc.

Uma vizinha confidenciou a outra, que já tinha ouvido comentários a respeito de que ali tinha mosquito no angu. "Povo aumenta mas não inventa, veja só, amiga".

O vereador da oposição que estava na fila esperando qualquer falha no atendimento para no dia seguinte tirar o couro do prefeito, na rádio da família, não se conteve e começou a fazer discursos inflamados contra a administração, exigindo contratação através de concurso público. "Eu não disse que esse povo não prestava ? Mudança já !"  O seu assessor começou a organizar um abaixo-assinado ali mesmo.

O jornalista estrela já trabalhava mentalmente qual a melhor manchete para o furo, dependendo, claro, da boa vontade do prefeito. Uma mão passa creme na outra e o corpo fica todo perfumado.

O professor universitário, tirou os olhos, um instante, sobre o livro que lia e disse achar um exagero. As pessoas devem ter o direito de fazer quantas vezes puder e quiser, com quem quiser e onde quiser. Ninguém tem nada a ver com a intimidade alheia. Liberdade individual acima de tudo. Ô Povo subdesenvolvido ! E voltou a ler seu exemplar do Moral Capitalista

O empresário, dono de um motel, começou a achar que aquele podia ser um dos motivos da queda de frequência em seu estabelecimento. Começou a imaginar um promoção para conquistar aquela fatia de mercado.

O homossexual, com medo de ser espancado, começou a pisar firme no caminhar e falar grosso dizendo que alguém devia acabar com tamanha falta de respeito. "Isto é um escândalo", bradou com voz de trovão, com cuidado de não balançar muito os braços.

A confusão estava arrumada. Chega a polícia. Alguém sempre lembra de chamar ela nestas horas. O comandante da guarnição se inteira dos fatos. Passa um rádio ao superior no QG e recebe o OK : arromba essa porra e estabeleça a ordem, entendido ?

Se dirigem então para a porta. A polícia na frente e os curiosos atrás. O mais forte dos policiais de um só golpe põe abaixo a porta da sala em questão.

Um ooooooooh , toma conta do corredor da repartição. Tomados  de surpresa, estavam lá o chefe e o seu subordinado. Pela rapidez do ato não tiveram tempo para reação alguma e ficou evidente o flagrante do que estavam fazendo ali, àquela hora:

Estavam de cócoras, de frente um para o outro, devidamente trajados em roupa social. Entre eles, no piso, um tabuleiro do Jogo de Damas. E o chefe, que estava na  vez ,  ainda não tinha decidido se comia ou não a pedra do adversário. Era a hora do intervalo para o lanche. Tudo dentro da legalidade. Decepcionante, mas não necessariamente elementar, meu caro Watson.

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