sábado, 27 de março de 2010

A mão que balança o berço

Nos últimos dias a mídia nacional esteve ocupada em " novelar" o julgamento dos supostos (agora culpados) assassinos da menina Isabella. Em raros intervalos ,conseguimos, porém, ter acesso a outras informações.E algo me chamou a atenção: quase uma dezena de casos envolvendo alunos versus professores e diretores de escola em uma unica semana.

Em uma escola vários alunos foram barrados porque não estavam uniformizados de forma devida.Em outra foram impedidos porque chegaram ao colégio calçando chinelos- de- dedo.Já na seguinte um aluno foi compelido a deixar  a sala de aula devido a seu corte de cabelo estilo " moicano".E outros casos da mesma natureza se sucederam na semana. 

Não vou aqui entrar no mérito de cada caso.Vou entrar, sim ,no mérito que une todos os casos: a dificuldade da geração atual de se submeter às regras de convivência social. Todos os professores e diretores foram unânimes em afirmar que tais regras foram pactuadas e decididas em conjunto com os pais dos alunos, antes do inicio do ano letivo.

Pode até parecer que sou retrógrado, antiquado e conservador. Pelo contrário. Sou a favor, sim ,da liberdade individual, onde cada cidadão faça o que bem quiser com o seu corpo e mente.O problema é dele, exclusivamente dele. É o livre arbítrio da divina natureza, doada ao ser humano.

Entretanto a liberdade individual só é válida se houver respeito ao próximo, ao pacto social dos "fisicamente desvalidos"  de  Nietzsche. Isto requer a existência de regras.Regras também são da natureza humana, sendo o homem um ser que vive em sociedade.

Não é a  falta do uniforme e/ ou o corte de cabelo extravagante que vêm prejudicando nossa educação, mas sim o que destes fatos podemos depreender.A escola não é lugar somente para aprender aritmética e outras produções científicas e literárias.Ela também é lugar para se formar cidadãos que aprendam a ter limites, complementando a educação familiar.

O aluno como qualquer cidadão ,tem que saber que existem regras a serem obedecidas, mesmo que com elas não venhamos a concordar. Podemos discuti-las sem as desobedecer e assim legalmente lutar pelas mudanças.

O mais lamentável de tudo isso foi a atitudes de alguns pais, que preferiram ficar a favor dos filhos, mesmo estes estando desobedecendo ao que os próprios pais decidiram junto com a direção da escola.A mensagem ou a lição que estão dando aos rebentos é : façam o que bem  entenderem, desobedeçam às leis e  não respeitem as autoridades.Estaremos sempre com vocês mesmo que estejam errados.Vocês podem tudo.

Assim fica claro porque lecionar hoje é uma profissão de risco. O  professor ao impor regras de boa conduta está correndo risco de morte.Os alunos pensam que tudo podem, inclusive agredir aos professores.Sabem que a mamãe e o papai virão na sua defesa incondicional.O professor ou diretor sempre serão o monstro da história.

As gerações anteriores que lutaram pela democratização da sociedade, inclusive nas escolas , não queriam essa falta de ordem e respeito. Lutaram contra a tirania, contra a imposição de uma minoria sobre a maioria e não favor da desobediência civil e de uma sociedade sem regras, onde impera a anarquia total .

Depois a culpa é só do governo quando uma lei " não pega" ou pelo aumento da criminalidade, contravenções  e outros males advindos da clara desobediência à lei. E a família, a igreja e a escola ,onde estão ?  Um país de bons homens, começa pelo país de bons meninos. 

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